segunda-feira, 4 de maio de 2026

Trabalhadores negros ganham R$ 3 mil a menos que brancos na Bahia, aponta relatório

Foto: Reprodução

Da Redação

A Bahia ainda enfrenta forte desigualdade racial no mercado de trabalho. Trabalhadores negros recebem, em média, R$ 3 mil a menos que trabalhadores brancos no estado, segundo o Relatório de Transparência Salarial do primeiro semestre de 2026, divulgado pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

De acordo com o levantamento, a remuneração média de pessoas brancas é de R$ 9.109,45, enquanto trabalhadores negros recebem, em média, R$ 5.934,43.

Dados indicam que, embora representem 84,2% dos vínculos empregatícios na Bahia, pessoas negras seguem sub-representadas em funções de maior renda e qualificação. A desigualdade também se mantém entre trabalhadores que exercem as mesmas funções.

Levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostra que, em todo o país, negros recebem menos que brancos em todos os grupos ocupacionais. Em cargos de gerência e diretoria, por exemplo, a diferença salarial chega a R$ 3.385.

A disparidade se acentua conforme o nível de escolaridade. Entre profissionais com ensino superior completo, trabalhadores brancos chegam a ganhar cerca de 45% a mais do que negros.

O cenário é ainda mais desigual para mulheres negras na Bahia. A remuneração média desse grupo é de R$ 2.645,93, ficando R$ 2.473,89 abaixo dos ganhos de homens não negros, que lideram os rendimentos. Apesar disso, mulheres negras representam 34,4% dos vínculos empregatícios no estado.

A legislação brasileira prevê punições para discriminação no trabalho, incluindo desigualdade salarial por raça, mas especialistas avaliam que a aplicação das normas ainda é insuficiente para reduzir as disparidades históricas.

04 de maio de 2026, 09:00

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