terça-feira, 19 de maio de 2026

Especialista alerta para risco de jovens migrarem de trapaças em games para crimes cibernéticos

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Da redação

Plataformas de jogos online como Discord e Roblox, já alvo de debates sobre a exposição de crianças e adolescentes a crimes virtuais, também podem servir como porta de entrada para práticas criminosas cometidas pelos próprios jovens. O alerta é do delegado de repressão a crimes cibernéticos de Pernambuco, Sérgio Luiz Oliveira dos Santos, pesquisador de cibersegurança do CESAR.

Segundo ele, ambientes de jogos online funcionam, em alguns casos, como uma “incubadora” para cibercrimes. O processo, explica, geralmente começa com tentativas de trapacear ou piratear jogos e pode evoluir para fraudes financeiras e golpes digitais.

“Os jovens começam com tentativas de trapacear ou piratear jogos e podem evoluir para fraudes bancárias ou crimes mais graves”, afirmou.

Dentro dessas plataformas, a comercialização de itens virtuais movimenta dinheiro e estimula práticas ilegais, segundo usuários. Bruno Vilela, de 30 anos, frequentador do Discord e jogador de Counter Strike, explica que acessórios digitais, como skins de armas, podem atingir valores elevados.

“Tem quem aprenda a trapacear, a roubar esses itens dentro do jogo, através de programação mesmo ou ao hackear as contas dos outros usuários”, relatou.

De acordo com Sérgio, o domínio inicial dessas ferramentas pode levar a uma escalada criminosa. “Porque ele tenta trapacear no jogo, depois tenta piratear. Do piratear, tenta monetizar. Ao monetizar, precisa aprender a esconder o dinheiro, podendo chegar até a uma fraude bancária. É um fluxo padrão”, disse. Entre os crimes mais sofisticados, ele cita golpes com PIX, boletos e criptomoedas.

O delegado afirma ainda que o perfil predominante dos criminosos virtuais no Brasil é formado por homens jovens, entre 18 e 30 anos, de classe média baixa e pertencentes à geração dos chamados nativos digitais.

Apesar disso, ele avalia que muitos atuam com conhecimentos técnicos limitados, utilizando ferramentas prontas, como kits de phishing e painéis de controle comprados em fóruns online. Segundo Sérgio, falhas operacionais frequentemente ajudam a polícia a identificar os autores dos crimes, seja por exposição do IP ou pela ostentação nas redes sociais.

“O carro caro aparece. A festa aparece. A namorada nova aparece. Tudo datado, geolocalizado, etiquetado”, afirmou.

Dados da Pesquisa Game Brasil 2025 apontam que 36,5% das pessoas entre 16 e 30 anos no país jogam online, e 82% desse público consideram os games sua principal forma de entretenimento. Já o Discord registrou 51,6 milhões de contas no Brasil em 2026, segundo levantamento do World Population Review.

Para o delegado, o acompanhamento familiar é decisivo para evitar o aliciamento de jovens para o crime digital, mesmo após a criação do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, conhecido como Lei Felca.

“Os pais que não estão monitorando seus filhos, não podem vê-los sendo aliciados para o crime”, alertou.

Sérgio conclui afirmando que o envolvimento de jovens com crimes virtuais ocorre de forma gradual. “Eles não nascem cibercriminosos. Eles foram cultivados no submundo digital, onde a linha entre trapaça e crime foi se tornando indistinta”.

Com informações da Agência Brasil.

18 de maio de 2026, 13:00

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