Coca-Cola recolhe produtos após furto de figurinhas da Copa
Da Redação
Uma campanha promocional da Coca-Cola ligada à Copa do Mundo de 2026 acabou gerando prejuízos para a própria empresa. A multinacional passou a recolher garrafas danificadas após consumidores removerem indevidamente os rótulos para obter figurinhas colecionáveis distribuídas em parceria com a Panini.
A ação prevê a inserção das figurinhas no interior dos rótulos de alguns produtos. No entanto, em diversos pontos de venda, consumidores passaram a rasgar ou retirar as embalagens para verificar o conteúdo antes da compra, tornando os refrigerantes impróprios para comercialização.
Sem os rótulos, os produtos perdem informações obrigatórias e o código de barras utilizado para venda nos caixas, obrigando supermercados e distribuidores a retirar as unidades das prateleiras.
Em nota, a Coca-Cola informou que está acompanhando os casos e orientando os estabelecimentos comerciais sobre os procedimentos para recolhimento e substituição dos produtos danificados.
“Nos casos em que forem identificadas embalagens danificadas ou sem rótulo, os estabelecimentos podem acionar os times comerciais responsáveis pelo seu atendimento para adoção dos procedimentos cabíveis, incluindo o recolhimento e a substituição dos produtos afetados.”
Especialistas ouvidos sobre o tema avaliam que a responsabilidade pelos prejuízos decorrentes dos produtos inutilizados tende a recair sobre a fabricante, já que a estratégia promocional foi criada pela própria empresa.
Segundo o advogado Roberto Teixeira Lima Júnior em entrevista ao UOL, do escritório Wilton Gomes Advogados, a escolha do formato da campanha incorporou um risco previsível de manipulação das embalagens nos pontos de venda.
“Ao inserir as figurinhas dentro dos rótulos, a Coca-Cola criou um atrativo que estimula a manipulação da embalagem pelos consumidores no ponto de venda, introduzindo um fator de risco previsível.”
Apesar dos transtornos registrados, a empresa afirma que não vê impactos relevantes na campanha e destaca que a ação promocional segue apresentando forte adesão dos consumidores. A companhia lembra ainda que iniciativas semelhantes já foram realizadas durante a Copa do Mundo do Catar, em 2022.
“A iniciativa, realizada desde 2022, tem registrado resultados positivos e elevada adesão dos consumidores, conforme o previsto”, afirma a empresa.
Embora a fabricante assuma o custo relacionado à substituição dos produtos danificados, especialistas destacam que consumidores flagrados retirando figurinhas sem adquirir as bebidas podem responder criminalmente.
Dependendo das circunstâncias, a conduta pode ser enquadrada como furto ou dano ao patrimônio, previstos nos artigos 155 e 163 do Código Penal.








