Baiano condenado por ataque em cinema de São Paulo lança livro sobre o caso mais de duas décadas depois
Mais de 25 anos após o ataque a tiros que chocou o país dentro de um cinema no Morumbi Shopping, em São Paulo, o baiano Mateus da Costa Meira passou a se dedicar à produção literária e lançou uma obra em que revisita o episódio que marcou sua trajetória.
Natural de Salvador e ex-estudante de Medicina, Mateus, hoje com 51 anos, tem publicado de forma independente livros sobre crimes de grande repercussão nacional e internacional. Entre os temas abordados em suas obras estão os casos de Isabella Nardoni, Suzane von Richthofen e o massacre de Columbine, nos Estados Unidos.
Seu lançamento mais recente tem como foco justamente o atentado cometido por ele em 1999. Intitulado “Dentro da Escuridão: A Vida, a Mente e o Crime de Mateus da Costa Meira”, o livro reúne análises, documentos e reflexões sobre o episódio, segundo informações divulgadas pelo colunista Ullisses Campbell, do jornal O Globo.
De acordo com o autor, a publicação foi construída a partir de decisões judiciais, laudos periciais, registros públicos e reportagens produzidas ao longo dos anos. Na obra, ele sustenta que parte dos fatores relacionados ao crime não teria sido plenamente compreendida pela cobertura jornalística da época.
Um dos aspectos que chamam atenção no livro é a opção narrativa adotada por Mateus. Em diversos trechos, ele relata acontecimentos envolvendo sua própria vida em terceira pessoa, como se descrevesse a história de outro personagem.
O caso que levou à sua condenação ocorreu em 3 de novembro de 1999. Na ocasião, Mateus entrou armado em uma sala de cinema do Morumbi Shopping e efetuou disparos contra o público. Três pessoas morreram e outras ficaram feridas.
Após ser preso, ele foi condenado inicialmente a mais de 120 anos de prisão. Posteriormente, a pena foi redimensionada para 48 anos e nove meses.
Durante o cumprimento da pena, passou por avaliações psiquiátricas periódicas. Em um processo relacionado a uma agressão ocorrida dentro do sistema prisional, laudos médicos apontaram diagnóstico de esquizofrenia paranoide. A partir desse entendimento, ele foi transferido para um hospital de custódia na Bahia, onde permaneceu sob tratamento especializado.
Depois de mais de uma década internado na unidade, Mateus recebeu autorização judicial para deixar a instituição em 2024. Atualmente, reside em Salvador e segue submetido a acompanhamento médico e psiquiátrico.








