quarta-feira, 13 de maio de 2026

“A CPI precisa responder todas as perguntas sobre essa negociação do governo com a Covaxin”, defende ACM Neto”

Foto: Reprodução/Youtube

Thyara Araujo

O presidente nacional do DEM, ACM Neto, defendeu na noite desta quinta-feira (8), em entrevista ao programa Papo Antagonista, a postura do deputado federal Luis Miranda (DEM-DF), que apresentou na CPI da Pandemia possíveis irregularidades cometidas pelo Ministério da Saúde para a compra da vacina indiana Covaxin.

“O deputado fez a denúncia dentro da autonomia que o mandato lhe confere. Ele agiu em nome próprio, como parlamentar, e tem esse dever. Nós defendemos que a CPI vá fundo, pois a denúncia é muito grave. A CPI precisa responder todas as perguntas sobre essa compra da Covaxin e, eventualmente, outra aplicação de recurso público duvidosa que tenha havido ao longo da pandemia. Então, precisa haver apuração e conclusão sobre esse fato”, disse Neto, ao jornalista Diego Amorim.

Segundo Neto, Miranda conversou com ele depois que as denúncias foram feitas e divulgadas na imprensa. “Mas não me cabe entrar nesse mérito”, afirmou.

No mesmo dia em que Miranda fez a denúncia, um outro integrante do DEM, ministro Onyx Lorenzoni, fez uma coletiva de imprensa rebatendo duramente o deputado. Neto minimizou o embate.

“Não foi a primeira nem será a última divergência que nós temos envolvendo figuras do Democratas. Sobretudo depois de 2018, quando Bolsonaro venceu a eleição para presidente da República, ficou evidente que, dentro do partido, temos algumas pessoas que são mais próximas do governo e outras que preferem manter distância. A mim, como presidente, cabe tentar conciliar essas posições e respeitar as divergências, desde que elas não atinjam a imagem do partido”.

Para Neto, o deputado Luis Miranda “não falou pelo DEM”. “Miranda falou por ele, enquanto Onyx respondeu pelo governo”, completou o presidente do DEM.

Saídas de ministros

Sobre o burburinho em Brasília de que existe a possibilidade do ministro Onyx Lorenzoni (DEM) e da ministra Tereza Cristina (DEM) deixarem o DEM e mudarem de partido, ACM Neto afirmou: “o DEM não teve participação na escolha dos ministros. A escolha foi do presidente Bolsonaro. São quadros qualificados, pessoas com histórias no Democratas. É natural que exista essa especulação, sobretudo em função das incertezas da regra eleitoral para o ano que vem, mas eu não posso participar dela. Eu faço votos que eles continuem no DEM e registro a importância desses dois quadros. Espero que essa especulação não se confirme”.

DEM nas eleições 2022

Questionado se o DEM apoiará Lula, Bolsonaro ou uma terceira via, ACM Neto disse que, atualmente, dentro do partido, existem dois nomes “com grande destaque nacional”: o ex-ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco.

“Estamos fazendo um debate, pelo menos com nove partidos, para tratar sobre a agenda do Brasil e sobre o futuro, avaliando os caminhos. Acho que será saudável para o país que a gente possa oferecer aos brasileiros caminhos que não sejam apenas os dois que estão sendo postos hoje. Muita gente me pergunta se terão só Lula e Bolsonaro, mas eu acho que não. Acho que, em algum momento, vai abrir uma janela de oportunidade para surgirem novos nomes, novas alternativas que vão chegar à atenção dos brasileiros”.

Neto voltou a dizer que “não há chance” de ser vice de Bolsonaro. “Não existe essa hipótese. Não serei candidato a vice dele nem de nenhum outro candidato, e o DEM vai manter sua independência com relação ao governo”, completou.

Impeachment

Ao ser questionado sobre apoiar um possível impeachment do presidente Bolsonaro, Neto afirmou: “três coisas precisam estar presentes para que o impeachment possa acontecer. A primeira delas é ter contundência jurídica de elementos e argumentos para tirar o presidente da República. A segunda é ter ambiente político para um impeachment, ou seja, uma maioria no Congresso que se forme com número mínimo para gerar a cassação do presidente. A terceira é ter respaldo popular, evidente, majoritário e contundente no país. Hoje, não vejo nenhuma dessas situações presentes”.

O presidente do DEM disse que não sabe se, futuramente, existirá um cenário para isso. “Não sei do futuro, pois não tenho bola de cristal”, disparou.

Apesar de, atualmente, não ver motivos para o impeachment de Bolsonaro, Neto afirmou que não faz uma avaliação positiva do governo. “Minha avaliação em relação ao governo é mais de crítica do que de concordância. Desde de o início da pandemia o governo tem tido uma condução ruim. Hoje, temos problemas que poderiam não existir, caso a condução do governo fosse de outra forma”, finalizou Neto.

08 de julho de 2021, 19:59

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