Ações sobre pré-campanha no TSE crescem 335% e disputas com IA impulsionam judicialização eleitoral
Da Redação
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) recebeu 135 ações relacionadas às pré-campanhas eleitorais desde o início deste ano, um aumento de 335% em comparação com o mesmo período de 2022, quando foram registradas 31 representações. O avanço reflete a intensificação das disputas jurídicas entre grupos políticos e o uso crescente de ferramentas de inteligência artificial no ambiente eleitoral.
Entre os principais autores das ações estão o Partido dos Trabalhadores (PT) e o Partido Liberal (PL), ligados às pré-campanhas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do senador Flávio Bolsonaro, respectivamente. As representações envolvem, sobretudo, denúncias sobre conteúdos digitais considerados irregulares, incluindo materiais produzidos com inteligência artificial.
Nos últimos dias, o vice-presidente do TSE, ministro André Mendonça, determinou a remoção de conteúdos que associavam Lula ao caso envolvendo o Banco Master. Em três decisões, o magistrado atendeu a pedidos apresentados pela pré-campanha petista.
Em outro caso, Mendonça ordenou a retirada de uma deepfake que simulava Flávio Bolsonaro em uma reunião com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A judicialização também atingiu produções audiovisuais. O PT acionou a Justiça Eleitoral contra o filme “Dark Horse”, que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, sob a alegação de propaganda eleitoral antecipada. O pedido, porém, foi rejeitado pelo presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques.
Em outra decisão, Nunes Marques acolheu uma representação da pré-campanha do PL e determinou a retirada de uma pesquisa da Atlas/Intel que apontava queda na intenção de votos de Flávio Bolsonaro. Segundo a equipe do senador, uma das perguntas do levantamento teria influenciado os resultados apresentados.
O crescimento expressivo do número de ações evidencia o aumento da atuação da Justiça Eleitoral na fiscalização das pré-campanhas e reforça o papel das novas tecnologias, especialmente da inteligência artificial, como um dos principais focos de disputa jurídica no cenário eleitoral de 2026.








