Adoções por casais gays crescem 241% em cinco anos no Brasil
Da Redação
O Brasil registra atualmente 5.369 crianças e adolescentes à espera de adoção, segundo dados do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Desde que o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu, em 2015, a união homoafetiva como núcleo familiar e autorizou a adoção por esses casais, o número de filhos criados por dois pais vem aumentando de forma constante.
Entre 2019 e 2024, as adoções realizadas por casais formados por homens passaram de 77 para 263 — crescimento de 241,56%. Somente nos sete primeiros meses deste ano, 178 casais gays adotaram crianças ou adolescentes, alta de 29% em relação ao mesmo período de 2023.
Considerando também casais formados por mulheres, o avanço é ainda mais expressivo: as adoções homoafetivas triplicaram em cinco anos, saltando de 149 em 2019 para 458 no ano passado.
Apesar de haver quase 33 mil pretendentes cadastrados no SNA, a espera pela adoção persiste, principalmente devido à busca por perfis específicos. Enquanto muitos casais heterossexuais preferem bebês ou crianças pequenas, famílias homoafetivas tendem a adotar crianças mais velhas, negras e grupos de irmãos — perfis que enfrentam mais dificuldade para serem acolhidos.
“Os casais que viveram à margem da sociedade, que foram marginalizados ‘dentro do armário’, procuram crianças que também estão nesse armário; são aquelas menos vistas”, afirma Silvana do Monte Moreira, presidente da Comissão Nacional de Adoção do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM).








