sexta-feira, 24 de abril de 2026

Alta de insumos pressiona construção civil e ameaça crescimento do setor em 2026

Foto: Divulgação

Da Redação

A indústria da construção civil acendeu o alerta diante dos recentes aumentos nos custos de insumos, impulsionados por tensões no Oriente Médio. O encarecimento já impacta contratos em andamento e coloca em dúvida a projeção de crescimento de 2% para 2026, que começa a ser revisada pelo setor. As informações são da coluna Farol Econômico, do jornal Correio.

O avanço dos custos pressiona o valor final de obras e imóveis, além de afetar projetos de infraestrutura, que podem sofrer atrasos, revisões orçamentárias e até inviabilização. Na Bahia, representantes do setor destacam a velocidade e a amplitude dos reajustes como fatores de preocupação.

Além das obras privadas, empresas que atuam em serviços públicos também sentem os efeitos, incluindo aquelas ligadas ao programa habitacional Minha Casa Minha Vida, pavimentação, obras rodoviárias e coleta de resíduos.

Em entrevista à coluna, o presidente do Sinduscon-BA, Eduardo Passos, afirmou que a construção civil já enfrenta alta de insumos desde a pandemia, agravada por eventos como a guerra na Ucrânia em 2022. Entre os principais aumentos estão combustíveis, fretes, produtos derivados de petróleo — como o PVC — e o cimento. Em alguns casos, o PVC teve reajustes superiores a 35%, enquanto o concreto chegou a subir até 16%.

O cenário compromete a viabilidade financeira de contratos. “Empresas que tiveram reajustes de 5% em contratos no início do ano enfrentam agora custos que cresceram até 15%”, afirma Passos.

Também em entrevista à coluna,  o presidente da Coopercon-BA, Angelo Simões, avaliou que os aumentos vão além da recomposição de custos e podem refletir ampliação de margens. Ele destaca que a falta de previsibilidade já provoca prejuízos. Em um caso recente, um orçamento apresentado sofreu impacto dos reajustes em poucos dias, tornando-se mais caro e levando o cliente a adiar o projeto. A obra, segundo ele, geraria cerca de 150 empregos diretos.

O setor avalia que, diante da instabilidade, a tendência é de desaceleração de novos investimentos e impacto no nível de emprego nos próximos meses.

09 de abril de 2026, 08:30

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