quinta-feira, 14 de maio de 2026

Apoio de Jaques Wagner a Jorge Messias no STF acirra crise entre governo e Senado

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil e William Rocha

Da redação

A indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, fortemente defendido pelo líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT), para uma vaga no Supremo Tribunal Federal elevou a tensão entre o Palácio do Planalto e a cúpula do Senado. A escolha contrariou o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que esperava a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e demonstrou incômodo com a condução política do processo. As informações são da Folha de S. Paulo.

Apesar de o nome de Messias já circular como favorito há semanas, a irritação de Alcolumbre aumentou porque Lula não o avisou previamente da decisão. Segundo a Folha de S. Paulo, a assessoria do presidente do Senado afirmou que havia expectativa de uma ligação presidencial antes do anúncio público, o que não ocorreu.

Logo após a confirmação oficial, Alcolumbre reagiu levando ao plenário, para a próxima semana, um projeto de forte impacto fiscal que trata da aposentadoria especial de agentes comunitários de saúde e de combate às endemias — um gesto interpretado nos bastidores como resposta ao desgaste político.

A crise também atinge diretamente Wagner, hoje principal articulador do governo no Senado e um dos maiores defensores da escolha de Messias, que já trabalhou em seu gabinete no passado. A fala pública de Wagner revelando que Alcolumbre havia manifestado preferência por Pacheco incomodou ainda mais o presidente da Casa. Senadores próximos a ele relatam que Alcolumbre chegou a ignorar ligações do líder do governo após o episódio.

O desconforto revela o isolamento do Planalto em relação a parte expressiva do Senado. Mesmo com Messias recebendo o apoio público do ministro do STF André Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro, líderes de bancada avaliam, nos bastidores, insistir no nome de Pacheco, considerado favorito da maioria dos senadores.

Lula, porém, não cogita recuar. Segundo auxiliares, o presidente considera a escolha para o STF uma prerrogativa exclusiva do chefe do Executivo e pretende mantê-la apesar da pressão política.

A indicação ainda precisa ser aprovada pelo Senado. Antes de chegar ao plenário, onde são necessários 41 votos favoráveis em votação secreta, Messias deve passar por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), presidida justamente por Alcolumbre. A última rejeição de um indicado ao STF ocorreu no final do século 19 — cenário que o Planalto trabalha para evitar, mas cuja possibilidade entrou no radar devido ao atual clima de tensão entre governo e Senado.

21 de novembro de 2025, 11:00

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