terça-feira, 5 de maio de 2026

Após derrota de Rui Costa na votação da PEC dos Precatórios, Leão tenta “baixar temperatura”

Foto: Divulgação

Da Redação

O clima na base do governador Rui Costa (PT) está fervendo após as críticas públicas feitas pelo petista aos deputados que votaram a favor da PEC dos Precatórios, aprovada em primeiro turno ontem (04) na Câmara. O petista falou o que quis e ouviu o que não quis. Hoje (05), em nota enviada ao Toda Bahia, o vice-governador João Leão tentou “baixar a temperatura”, que está altíssima e pode deixar sequelas.

“Afirmações no calor do debate nem sempre ajudam e devem ser evitadas”, disse Leão. “Todos estamos preocupados e atentos aos interesses da Bahia. No caso dos precatórios, tivemos o cuidado de recomendar à nossa bancada na Câmara que buscasse uma solução que evitasse prejuízos para o nosso estado”, acrescentou.

Repetindo o que disse o senador Otto Alencar (PSD), Leão afirmou que Rui Costa sabia do posicionamento dos parlamentares da base na Câmara sobre a PEC. “Acompanhei as conversas através do deputado federal Cacá Leão, líder do PP, com o senador Otto Alencar e o governador Rui Costa. A votação dos nossos deputados se deu após esses entendimentos. No mais, é baixar a temperatura e continuarmos trabalhando pelo nosso povo”, declarou o vice-governador.

Com exceção de Ronaldo Carletto, que se ausentou, todos os deputados do PP da Bahia votaram a favor da PEC, seguindo a orientação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). No PSD, apenas Paulo Magalhães votou contra, atendendo Rui Costa. A PEC, que limita o valor de despesas anuais com precatórios, corrige seus valores exclusivamente pela Taxa Selic e muda a forma de calcular o teto de gastos, deverá ser votada em segundo turno na Câmara na semana que vem.

Dose dupla

Para Rui Costa, a aprovação da proposta representa uma derrota dupla, econômica e política. Se for aprovada na Câmara e no Senado, a Bahia levará mais tempo para receber os cerca de R$9 bilhões que a União deve ao estado em precatórios na área da educação. Politicamente, a PEC garante mais recursos aos cofres do governo federal em ano eleitoral e viabiliza o pagamento de R$400 do Auxílio Brasil em 2022, fortalecendo Bolsonaro principalmente na região Nordeste.

Além disso, a votação na Câmara deixou claro que os deputados do PP e do PSD se colocaram a favor de Bolsonaro e contra o governador numa pauta considerada crucial por Rui Costa, que telefonou na semana passada para os parlamentares da base pedindo que votassem contra a PEC – ao mesmo tempo em que o governo federal e os prefeitos baianos, interessados na renegociação das dívidas dos municípios incluída na proposta, faziam lobby a favor do texto.

Irritado com o resultado da votação em primeiro turno, Rui Costa chamou os deputados de traidores do povo baiano, fazendo ameaças faltando menos de um ano para as eleições. “Vou rodar essa Bahia inteira e pedir ao meu povo para separar o joio do trigo”, chegou a dizer. Indiretamente, já que não citou nomes, incluiu nessa lista os filhos de Leão e de Otto, que são deputados federais e reagiram duramente.

No Twitter, Cacá Leão disse que “o tempo do chicote e do coronelismo já acabou na Bahia faz tempo e não será reeditado por ninguém”. “Somos aliados fiéis, mas não somos capachos e exigimos respeito”, escreveu.

O deputado Otto Alencar Filho (PSD) classificou, em entrevista ao site Bahia Notícias, como “mentirosas” e “infelizes” as críticas do governador. Disse ainda que “notas demagógicas ignoram 15 anos de parceria político-eleitoral e administrativa”. “Tenho minha consciência tranquila. Foi o melhor relatório possível, beneficiando os municípios com a renegociação das dívidas previdenciárias e o Auxílio Brasil”, afirmou.

05 de novembro de 2021, 13:03

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