quinta-feira, 25 de junho de 2026

Após derrota no Congresso, Lula mira Bahia e exonera aliado de Arthur Maia da Codevasf

Foto: Divulgação

Da Redação

A crise entre o governo Lula (PT) e o Centrão chegou à Bahia. Após a derrota na Câmara Federal com a derrubada da Medida Provisória (MP) que aumentaria a arrecadação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), o Planalto iniciou uma série de exonerações em cargos de segundo escalão, atingindo diretamente aliados de parlamentares baianos que votaram contra o governo.

Entre os alvos está Harley Xavier Nascimento, indicado pelo deputado Arthur Maia (União), exonerado do cargo de superintendente regional da Codevasf em Bom Jesus da Lapa. Maia, que coordena a federação União Brasil–PP na Bahia, foi escolhido para a função por ACM Neto, vice-presidente nacional do primeiro partido e defensor do rompimento total da legenda com o governo federal.

O deputado lamentou a saída do aliado em vídeo nas redes sociais, no qual destacou o legado deixado por Harley. “Ele fez história na Codevasf com o grande trabalho que desenvolveu durante todos esses anos. É motivo de orgulho para todos os lapenses e os baianos”, disse Maia.

O Planalto nomeou interinamente o engenheiro Renato do Rosário Bittencourt Lopes, de Paramirim, para comandar a superintendência. A mudança ocorre meses após Lula exonerar Miled Cussa Filho, ex-superintendente da Codevasf de Juazeiro, e também o presidente nacional do órgão, Marcelo Moreira, ambos apadrinhados pelo deputado baiano Elmar Nascimento (União) desde o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

As exonerações ocorrem no contexto de retaliação política após a derrota do governo na votação da MP do IOF, considerada estratégica para o equilíbrio fiscal. Na ocasião, os baianos Elmar Nascimento, Dal Barreto, José Rocha, Leur Lomanto Júnior e Paulo Azi, todos do União Brasil, também votaram contra o texto, juntando-se a outros nomes da bancada baiana que seguiram o mesmo caminho: Adolfo Viana (PSDB), Alex Santana (Republicanos), Capitão Alden (PL), Cláudio Cajado (PP), Márcio Marinho (Republicanos) e Rogéria Santos (Republicanos).

A ofensiva do governo sobre os cargos federais marca um rearranjo na estrutura de poder na Bahia, especialmente em órgãos como a Codevasf, que historicamente funcionam como moeda política entre o Planalto e sua base no Congresso.

13 de outubro de 2025, 22:08

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