Após questionamento, associação de pais de vítimas da boate Kiss afirma que concordou com produção da Netflix
Da Redação
A Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria divulgou uma nota no domingo (29) afirmando que estava ciente da produção da Netflix “Todo o dia a mesma noite”, baseada em livro homônimo da jornalista Daniela Arbex. A manifestação ocorre após um grupo de pais questionar a produção e afirmar que não foi consultada sobre a realização da série, que se tornou uma das mais assistidas do serviço de streaming.
O lançamento conta, de maneira ficcional, a história da tragédia do incêndio na Boate Kiss, que deixou 242 mortos em janeiro de 2013.
Na nota, a associação afirma que “sente-se representada por ela, bem como pelo livro da autora”. O texto foi divulgado depois que alguns pais de vítimas afirmaram não terem sido informados da produção e disseram cogitar um processo.
O texto ressalta também que a série não é um retrato individual de nenhuma das vítimas, mas um recorte de quatro famílias que foram processados. “Todos familiares de vítimas e sobreviventes retratados por personagens da obra estavam cientes e em concordância”. Não há interesse em nenhum processo, continua a nota, até por acreditar que a produção pode ajudar na “luta por justiça e luta por memória”.
“É preciso falar, debater, produzir materiais sobre o que aconteceu naquela trágica noite de 27 de janeiro de 2013, pois só assim conseguiremos que as pessoas entendam o que a ganância, a negligência e a omissão são capazes de fazer”, diz a nota, assinada por Gabriel Rovadoschi Barros, presidente da associação.
Daniela Arbex compartilhou a nota nas redes sociais. “Não falar sobre o que aconteceu não poupa os familiares de sofrimento”, escreveu a jornalista”. “O silenciamento só interessa aos réus e à impunidade”.








