terça-feira, 23 de junho de 2026

Boulos admite erro da esquerda com entregadores e diz que vai rodar o país para ouvir trabalhadores de aplicativo

Foto: Ricardo Stuckert/PR

Da Redação

Recém-empossado como ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL-SP) afirmou que a esquerda errou ao definir políticas para entregadores e motoristas de aplicativo sem antes ouvir as demandas desses trabalhadores.

Em entrevista ao jornal O Globo, Boulos disse que uma das suas principais missões, dadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, será percorrer o país para dialogar com movimentos sociais, trabalhadores por aplicativo e pequenos empreendedores, com o objetivo de construir propostas conjuntas.

“A ideia é construir soluções para um setor que em geral está na informalidade e que às vezes tem um grau de resistência às políticas do governo. A classe trabalhadora mudou”, afirmou o ministro.

Boulos também comentou o projeto de lei enviado pelo governo em 2024, que busca regulamentar o trabalho nas plataformas digitais, mas está paralisado no Congresso Nacional.

Segundo ele, a discussão sobre o tema deve priorizar a remuneração mínima e o modelo de intermediação das empresas.

“Os trabalhadores querem uma garantia, mas a remuneração mínima tem um peso maior para eles. Por que as plataformas ficam com uma fatia tão relevante de cada viagem? Só pela intermediação tecnológica? Isso precisa ser regulamentado”, disse.

“A esquerda errou muitas vezes — e aqui não é o governo — porque sempre colocou o que quer para os trabalhadores dessas novas formas de trabalho. Poucas vezes parou para ouvir o que eles querem.”

Diálogo com evangélicos

O ministro também destacou o desejo de aproximar o governo dos evangélicos, defendendo um diálogo direto com lideranças religiosas e comunidades periféricas.

“Venho de um movimento social, os sem-teto, que tem pastores na coordenação e cuja base é majoritariamente evangélica. Eles estão concentrados nas periferias e se beneficiam das políticas do governo. Muitas vezes esse diálogo está truncado. É essencial, para o futuro das ideias progressistas no Brasil, destravar a conexão com milhões de evangélicos nas periferias”, declarou.

02 de novembro de 2025, 21:30

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