terça-feira, 26 de maio de 2026

Brasil alcança marca inédita em desenvolvimento humano, aponta relatório da ONU

Foto: José Cruz | Agência Brasil

Da Redação

O Brasil alcançou pela primeira vez a faixa de muito alto desenvolvimento humano, segundo dados do relatório Radar IDHM 2026 divulgados nesta terça-feira (26) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento.

De acordo com o estudo, o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) brasileiro passou de 0,744 em 2012 para 0,805 em 2024, atingindo o maior patamar da série histórica.

O levantamento utiliza indicadores relacionados à longevidade, educação e renda para avaliar as condições de vida da população.

Apesar do avanço, o relatório destaca que desigualdades sociais e raciais ainda impactam os resultados nacionais. Quando os dados são ajustados para refletir disparidades internas, o Brasil deixa a faixa de muito alto desenvolvimento humano e passa a ser classificado apenas como país de médio desenvolvimento humano.

Segundo o documento, a diferença entre os índices da população branca e negra caiu de 14% para 9% entre 2012 e 2024, embora os níveis permaneçam desiguais.

Enquanto a população branca alcançou índice de 0,851 em 2024, a população negra registrou 0,774.

O relatório aponta ainda que o crescimento proporcional foi maior entre negros no período analisado, com avanço de 10,3%, contra 5,5% entre brancos.

Na divisão por áreas, a educação foi o indicador que apresentou maior evolução, com crescimento médio anual de 1,35%.

Já os índices ligados à longevidade e renda cresceram, em média, 0,31% ao ano.

Segundo o estudo, os impactos da pandemia de COVID-19 afetaram diretamente os indicadores de expectativa de vida.

“O pior valor da série foi registrado em 2021, em decorrência dos impactos da pandemia”, aponta o relatório, que destaca recuperação gradual dos indicadores a partir de 2022.

O levantamento também mostrou desigualdade persistente entre homens e mulheres em relação à renda do trabalho.

Entre 2012 e 2024, o índice ajustado masculino passou de 0,737 para 0,802, enquanto o feminino evoluiu de 0,736 para 0,798.

Nos recortes estaduais, todas as 27 unidades federativas brasileiras passaram a integrar as faixas de alto ou muito alto desenvolvimento humano em 2024.

Os estados com desempenho acima da média nacional estão concentrados nas regiões Sul e Sudeste.

Mesmo com o avanço nacional, o estudo aponta diferenças regionais importantes: a expectativa de vida varia de 74,32 anos no Amapá para 79,75 anos no Distrito Federal; e a renda domiciliar per capita vai de R$ 482,46 no Maranhão para R$ 1.465,10 no Distrito Federal.

O relatório também destaca desigualdades no acesso ao ensino superior. Segundo os dados, o percentual de pessoas acima de 18 anos com diploma universitário varia de 59,14% na Paraíba para 83,37% no Distrito Federal.

Os maiores avanços no IDH-M após a pandemia foram registrados em Alagoas, Piauí e Rio Grande do Norte.

26 de maio de 2026, 15:23

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