sábado, 25 de abril de 2026

Brasil mantém pior posição no Índice de Percepção da Corrupção e repete segunda pior nota da série histórica

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Da Redação

O Brasil manteve, em 2025, sua pior colocação no Índice de Percepção da Corrupção (IPC), elaborado pela ONG Transparência Internacional. O país repetiu a segunda pior nota da série histórica, com 35 pontos em uma escala de 0 a 100, ocupando a 107ª posição entre 182 nações avaliadas. O resultado ficou abaixo da média global e da média das Américas, ambas de 42 pontos.

Divulgado nesta terça-feira (10), o levantamento é considerado o principal indicador mundial de percepção da corrupção no setor público. Segundo a Transparência Internacional, a variação de um ponto em relação ao ano anterior foi estatisticamente irrelevante, indicando estagnação no cenário brasileiro. Países como Dinamarca, Finlândia e Cingapura lideraram o ranking.

Em paralelo ao índice, a organização publicou o relatório Retrospectiva 2025, que aponta agravamento da infiltração do crime organizado no Estado brasileiro e cita casos de macrocorrupção, como esquemas envolvendo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e o Banco Master. A entidade afirma que investigações recentes evidenciaram falhas estruturais em setores considerados estratégicos, como o sistema financeiro e a advocacia.

O documento também destaca o crescimento do volume de emendas parlamentares, que ultrapassaram R$ 60 bilhões no orçamento de 2026, consolidando maior controle do Legislativo sobre parte significativa dos recursos públicos. Para a ONG, o fenômeno representa um movimento de “captura orçamentária”, com impactos que se estendem a estados e municípios.

Entre outros pontos, o relatório menciona suspeitas envolvendo contratos de alto valor firmados pelo Banco Master com escritórios de advocacia ligados a autoridades do Supremo Tribunal Federal e defende apurações independentes. A Transparência Internacional também recomenda a criação de um código de conduta no Judiciário e o fortalecimento de mecanismos de integridade em todos os Poderes.

Apesar das críticas, a organização aponta avanços institucionais, como operações conduzidas pela Receita Federal e pelo Ministério Público com base em inteligência financeira, a exemplo da operação Carbono Oculto, voltada ao combate à lavagem de dinheiro e à sonegação fiscal. Também foram citados como pontos positivos o controle ampliado das emendas e a rejeição da chamada “PEC da Blindagem” no Senado.

O Brasil aparece no ranking com desempenho semelhante ao de países como Sri Lanka e Argentina e permanece, desde 2015, abaixo das médias mundial e regional no índice.

10 de fevereiro de 2026, 11:48

Compartilhe: