sexta-feira, 1 de maio de 2026

Campo Grande recebe a magia dos blocos afro neste sábado (10)

Foto: Foto: Silvio Tito / Divulgação / PMS

Responsáveis por uma das revoluções no Carnaval de Salvador, os blocos afro levam para a avenida mais do que a mistura de cores e ritmos de inspiração africana. Eles concentram elementos definitivos para afirmação da arte, cultura e resistência negra originadas na cidade ao longo de cinco séculos. Agremiações como Ilê Aiyê, do Curuzu; Olodum e Filhos de Gandhy, do Pelourinho; Muzenza, da Liberdade; Malê Debalê, de Itapuã; e o caçula Cortejo Afro, do Conjunto Pirajá I, têm atuações que ultrapassam as fronteiras da folia, sendo importantes também para as comunidade de origem.

Neste sábado (10), ocorre um dos momentos mais esperados do Carnaval soteropolitano: a saída do Ilê, o Mais Belo dos Belos, do Terreiro Ilê Axé Jitolu, no Curuzu, de onde o bloco afro mais antigo do país inicia o desfile em direção ao Campo Grande e Avenida. Por volta das 22h, como manda a tradição, uma cerimônia religiosa em reverência aos orixás e de abertura de caminhos dá início à passagem da agremiação pelas ruas da Liberdade, esbanjando cores, movimentos e letras que exaltam o orgulho de ser negro até o Circuito Osmar (Campo Grande).

Esse ano, o Ilê tem como tema: “Mandela – A azania celebra o centenário do seu Madiba”, em homenagem a Nelson Mandela. Essa é a segunda vez, em 44 anos, que o bloco homenageia Madiba, considerado o pai da nação africana. “Com certeza o Ilê vai brilhar ainda mais esse ano”, aposta Vovô, presidente e fundador do bloco que reúne, aproximadamente, três mil associados.

O repertório, interpretado com maestria pelas vozes da Band’Aiyê, é um convite para seguir o Ilê em todo o percurso da festa. A primeira música do grupo, “Que bloco é esse”, de Paulinho Camafeu, de 1974, é uma das mais esperadas.

Malê – Horas antes, o bloco Malê Debalê desfila no Circuito Osmar (Campo Grande), por volta das 19h30, com um tema que valoriza o respeito às mulheres. “Nzinga, Jokanas e Francisca: um poder feminista” tem como objetivo conscientizar a sociedade sobre o respeito ao gênero feminino, com exemplos de mulheres que vão desde a Rainha de Angola, Nzinga; às índias baianas representadas pelas Pataxós, Jokanas; e à mulher de Itapuã com uma figura icônica, D. Francisquinha.

Já o bloco Muzenza, que esse ano completa 38 carnavais, passa pelo Campo Grande por volta das 20h30, com o tema “A América dos ritmos africanos”, que exalta a ligação entre os dois continentes. Cerca de 2.500 pessoas vão embelezar as ruas do Centro com diversas alas, como a das baianas.

10 de fevereiro de 2018, 00:01

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