Carne estragada nas enchentes do RS é revendida como produto nobre do Uruguai em supermercados do RJ
A Polícia Civil do Rio de Janeiro investiga o reaproveitamento de 800 toneladas de carne estragada que ficarm submersas durante a enchente que atingiu o Rio Grande do Sul em maio do ano passado e foram revendidas de maneira fraudulenta.
Segundo a TV Globo, uma peça de picanha ainda estava sendo vendida no mercadinho de um frigorífico em Três Rios, no Rio de Janeiro, na quarta-feira (22). A investigação aponta que a empresa Tem Di Tudo Salvados, localizada em Três Rios, RJ, esteve envolvida em um esquema de fraude, vendendo carne de qualidade inferior como se fosse nobre e originária do Uruguai.
Ainda de acordo com a reportagem, a companhia repassou carnes impróprias para consumo humano a um frigorífico, o qual já havia sido responsável por vender as 800 toneladas de carne estragada que deveriam ser descartadas e transformadas em ração animal. O material, de acordo com a polícia, foi lavado para remover os vestígios de lama e embalado de maneira a simular a origem uruguaia.
A polícia descobriu que o lote de carne foi enviado a um frigorífico em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, que então repassou para empresas de Minas Gerais. O material foi rastreado de volta ao Rio Grande do Sul, onde meses antes tinha sido submerso pelas enchentes. Fotos do produto indicam que, ao ser reencaminhado para o estado, a carne já apresentava sinais claros de deterioração. Através das embalagens e lotes, o produtor de Canoas reconheceu a mercadoria como sendo a mesma que havia perdido nas enchentes.
O inquérito agora busca localizar outras empresas que, sem saber da verdadeira procedência da carne, a compraram e distribuíram por todo o Brasil. A polícia está rastreando as transações com a ajuda das notas fiscais apreendidas no frigorífico para identificar mais compradores do material.








