terça-feira, 23 de junho de 2026

Centrão atribui avanço de Flávio Bolsonaro em pesquisa a erros do governo Lula

Foto: Reprodução

Da Redação

Lideranças do chamado Centrão avaliam que o crescimento do senador Flávio Bolsonaro (PL) nas intenções de voto apontado pela mais recente pesquisa do Datafolha é resultado principalmente de desgaste do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), e não de méritos eleitorais do parlamentar. As informações são da Folha de S. Paulo.

Divulgado no sábado (7), o levantamento mostra aproximação entre os dois em simulações de primeiro turno e empate técnico em um eventual segundo turno, com 46% para Lula e 43% para Flávio.

Reservadamente, líderes do bloco afirmaram que o governo iniciou o ano sob forte pressão política e institucional, agravada pela crise envolvendo o Banco Master e decisões relacionadas ao Supremo Tribunal Federal (STF). Na avaliação desses políticos, o governo teria sido mais prejudicado pelo episódio, apesar de o desgaste atingir diferentes atores institucionais.

Segundo essa leitura, parte do eleitorado tende a associar a crise a todos os Poderes. Ainda assim, o antagonismo do bolsonarismo ao STF e ao governo Lula impediria que o campo oposicionista seja o principal alvo das críticas.

Ainda de acordo com a Folha, Outro episódio citado por essas lideranças como fator de desgaste foi um desfile de Carnaval que homenageou o presidente Lula e incluiu alegorias com famílias representadas em latas de conserva. Embora a iniciativa não tenha tido participação direta do presidente, a apresentação gerou reação negativa em setores conservadores e religiosos.

De acordo com a pesquisa Datafolha, 71% dos eleitores consideraram inadequada a homenagem. Entre os próprios eleitores de Lula em 2022, 49% desaprovaram a iniciativa.

Na avaliação de integrantes do Centrão, conforme destaca a Folha, a quebra de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva no âmbito de investigações relacionadas ao INSS teve impacto limitado sobre a imagem do presidente, diante de um cenário político já marcado por múltiplas crises.

Esses dirigentes também apontam problemas estruturais no governo, como a concentração de decisões no Palácio do Planalto e a predominância de integrantes do PT em ministérios estratégicos. Eles citam como exceção a nomeação do deputado Guilherme Boulos para a Secretaria-Geral da Presidência.

Segundo essa avaliação, a falta de renovação política e a percepção limitada de melhora nas condições de vida da população contribuem para o desgaste do governo. Apesar disso, essas lideranças reconhecem que o cenário econômico não é considerado negativo, embora medidas como a ampliação da isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil ainda não tenham produzido impacto político significativo.

Outro fator de preocupação citado por esses políticos, segundo a Folha, é a possibilidade de agravamento da guerra no Oriente Médio, que poderia elevar o preço do petróleo e dos combustíveis, com reflexos na avaliação do governo.

Para essas lideranças, Flávio Bolsonaro pode ultrapassar numericamente Lula em levantamentos futuros. Integrantes do governo, por sua vez, apostam em recuperação do presidente durante a campanha eleitoral, quando pretendem intensificar críticas ao adversário.

Pesquisa

A pesquisa Datafolha ouviu 2.004 eleitores em 137 municípios entre os dias 3 e 5 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o levantamento está registrado na Justiça Eleitoral sob o código BR-03715/2026.

O levantamento foi o primeiro realizado após o ex-presidente Jair Bolsonaro lançar a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. A candidatura inicialmente foi recebida com ceticismo por parte de partidos do Centrão, que demonstravam preferência pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

Em outro cenário citado por lideranças políticas, o governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), aparece com 41% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra Lula, sem a presença de Flávio Bolsonaro na disputa. Segundo esses dirigentes, a eleição tende a assumir caráter de plebiscito sobre o atual governo.

09 de março de 2026, 10:00

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