“Chances de reformar Previdência pioraram”, diz executiva da Moody’s
Um eventual rebaixamento da nota soberana do Brasil pela Moody’s “certamente é um possível resultado” depois da missão da agência internacional de rating ao País que ocorrerá ainda no primeiro trimestre, afirmou Samar Maziad, vice-presidente da Moody’s. O rating do Brasil é Ba2, com perspectiva negativa, e se cair irá para Ba3.
“O progresso da agenda de reformas não aconteceu, o que era um componente muito importante para estabilizar o rating em Ba2”, disse. Ela considera que são pequenas as chances de aprovação da reforma da Previdência neste ano devido ao calendário eleitoral.
Samar destaca que qualquer decisão sobre o rating do Brasil considerará um cenário de dois anos à frente sobretudo nas contas públicas. A seguir, alguns trechos da entrevista.
É provável a decisão de rebaixar o Brasil após a missão da Moody’s ao País neste primeiro trimestre?
Certamente é um possível resultado. O Brasil já possui uma perspectiva negativa perante a Moody’s, que foi definida em maio devido a incertezas sobre a aprovação da reforma da Previdência pelo Congresso. O fato é que desde maio tivemos mais ou menos a manutenção do status quo no front político, onde havia preocupações sobre um novo impeachment com as alegações contra o presidente Michel Temer, o que não se concretizou. O progresso da agenda de reformas não aconteceu, o que era um componente muito importante para estabilizar o rating em Ba2. Agora vemos que as chances de aprovação da reforma da Previdência pioraram de forma significativa e num ano eleitoral é muito difícil ver uma reforma ampla ser aprovada. O governo tenta a aprovação, mas o fato é que ainda não possui os votos necessários para passá-la. E será que conseguiria os votos nos próximos dois meses para aprovar um grande pacote? É difícil ter certeza sobre isso. Há uma possibilidade de aprovar, mas as chances são pequenas.
Qual é o quadro fiscal do Brasil que a Moody’s identifica hoje?
Estamos focalizados na reforma da Previdência, mas há outros fatos que são importantes. Há indicadores macroeconômicos que mostram melhora, como o aumento do PIB puxado pelo consumo. Com menores taxas de juros, os investimentos deverão retornar. Há também inflação baixa. Todos são elementos de estabilidade, mas o que está faltando é o lado fiscal. Para manter a força do crédito o Brasil depende da agenda de reforma fiscal, pois o crescimento sozinho não será suficiente para superar o crescente aumento da dívida pública em relação ao PIB. Sem a aprovação da reforma da Previdência o País continuará a ter grandes déficits, altas despesas e o crescimento sozinho não resolverá.
Como a senhora avalia o cenário fiscal do Brasil para os próximos dois anos?
Sem a reforma da Previdência, continuará a ocorrer deterioração das métricas fiscais e o peso da dívida pública manterá a elevação o que continuará a manter pressão sobre o rating.








