quinta-feira, 7 de maio de 2026

“Cogumelo Jesus”: escritor publica livro que expõe “fake news” sobre Cristo

Davi Lemos

Quando as “fake news” ganham cada vez maior espaço nas discussões públicas, o escritor, tradutor e ilustrador Paulo Schmidt traz à tona a realidade sobre uma outra vítima famosa das notícias falsas: Jesus Cristo. Tamanhas são as notícias ou “revelações” heterodoxas sobre o “homem de Nazaré” que Schmidt resolveu compilá-las em um livro: “Cogumelo Jesus – e outras teorias bizarras sobre Cristo”.

O título mesmo do livro refere-se a uma teoria bizarra nascida do labor do filólogo britânico John Allegro em 1970. Ele afirmou que Cristo nunca existiu, mas foi uma personagem mitológica inventada pelos primeiros cristãos para personificar um cogumelo alucinógeno secretamente consumido em reuniões secretas. “Allegro destruiu a própria carreira a partir disso”, contou Schmidt – ele considera que, nessa época, o clima do Woodstock, da contra-cultura, dentre outros elementos, podem ter influenciado a teorização de Allegro.

O livro de Schmidt aponta outras teorias esdrúxulas: uma delas segundo a qual Jesus foi um extraterrestre ou que não passou de um holograma. Algumas dizem que ele morreu aos 106 anos no Japão. Há ainda teorias de que Cristo teria sido homossexual, as quais podem ter inspirado a recente polêmica, no Brasil, da peça em que Jesus é retratado como um travesti. Todas essas ideias são questionadas pelo autor, que mostra as incongruências dessas histórias.

Segundo Paulo Schmidt, as teorias começaram a surgir ainda quando Jesus era vivo e continuam aparecendo até hoje, mais de dois mil anos após a sua morte. Apesar de sensacionalistas, muitas se espalharam e foram divulgadas como verdades, seja com o objetivo de denegrir sua imagem ou com o propósito de usar essa mesma imagem em benefício de suas próprias pautas ideológicas ou religiosas.

“Essas teorias surgem quando certos grupos buscam reivindicar para si a figura de Jesus Cristo. Teorias que desejam que ele seja feminista ou socialista, enquadrando-o aos pensamentos correntes na época em que são desenvolvidas essas teorias. Isso é falsificar a história para justificar um movimento ou filosofia da atualidade”, diz Paulo Schmidt.

De acordo com o autor, algumas são fruto do desejo dos cristãos de entender um pouco mais sobre a vida de Jesus. Outras ideias, como as que surgiram na Idade Média, tinham como objetivo gerar ódio e desinformação.

“Nos momentos mais tensos da história é comum que surjam notícias falsas. Muitas vezes, apesar de absurdas, essas ideias chamam atenção, se propagam e vendem. Sempre existe um propósito por trás dessas ‘fake news’, seja político, ideológico ou religioso”, comenta Paulo Schmidt.

Sobre o autor

Paulo Schmidt nasceu em São Paulo e estudou Art & Design em Nova York; É escritor, tradutor e ilustrador. Como editor, publicou livros de Victor Hugo, Alexandre Dums e H.P Lovecraft. Como autor, lançou Jack, o Estripador – a verdadeira história e o Guia politicamente incorreto dos presidentes da República, que ficou diversas semanas nas listas de livros mais vendidos do Brasil.

Em fevereiro de 2018, venceu o Prêmio Cepe Nacional de Literatura, com o romance Anjo Negro, fantasia histórica que retrata o Brasil na Era Vargas assolado por lobisomens e vampiros.

Ficha técnica:

Livro: Cogumelo Jesus – e outras teorias bizarras sobre Cristo
Autor: Paulo Schmidt
Editora: HarperCollins
Número de páginas: 168
Preço: R$34,90

21 de abril de 2019, 15:50

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