quinta-feira, 30 de abril de 2026

Com precatórios, governo tem maior déficit para meses de março

Foto: José Cruz/Agência Brasil

Da Redação

As contas do governo registraram forte deterioração em março, com déficit primário de R$ 73,8 bilhões, puxado principalmente pelo aumento expressivo das despesas. No período, os gastos totais chegaram a R$ 269,9 bilhões, alta real de 49,2%, enquanto a receita líquida somou R$ 196,1 bilhões, com crescimento de 7,5%.

O principal fator de pressão foram os pagamentos de sentenças judiciais e precatórios, que somaram R$ 34,9 bilhões. Esses valores também impactaram outras rubricas, como benefícios previdenciários (R$ 28,6 bilhões, sendo grande parte ligada a decisões judiciais) e despesas com pessoal e encargos.

Apesar da piora no resultado fiscal, a arrecadação apresentou avanço, impulsionada por tributos como IOF, Imposto de Importação, Imposto de Renda, CSLL e Cofins. Ainda assim, o crescimento das receitas não foi suficiente para compensar o salto nas despesas.

No acumulado do primeiro trimestre de 2026, o país registra déficit primário de R$ 17,1 bilhões, revertendo o superávit de R$ 54,9 bilhões no mesmo período do ano anterior. O resultado também foi influenciado pela antecipação do pagamento de precatórios.

Por outro lado, os investimentos federais cresceram de forma significativa, alcançando R$ 14,8 bilhões em março e R$ 24,4 bilhões no acumulado do ano, refletindo a aceleração da execução orçamentária.

A meta fiscal para 2026 prevê superávit de 0,25% do PIB, mas a projeção oficial do governo aponta déficit de R$ 59,8 bilhões no ano, mesmo com a possibilidade de excluir parte das despesas do cálculo, como os próprios precatórios.

29 de abril de 2026, 16:59

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