sexta-feira, 15 de maio de 2026

Comentarista da CNN, Alexandre Garcia lucra com notícias falsas na internet

Foto: Reprodução/CNN

Da Redação

O jornalista Alexandre Garcia, atual comentarista da CNN Brasil e ex-Globo, lucrou quase R$70 mil com vídeos no YouTube que foram removidos pelo Google por conter conteúdo falso. Ele está no topo de uma lista que o Google enviou para a CPI da Pandemia do Senado Federal.

No total, a comissão recebeu uma lista de 385 vídeos removidos ou deletados em 34 canais pelos próprios usuários após serem identificados como disseminadores de desinformação sobre formas de tratamento da Covid-19. O jornal O Globo teve acesso ao conteúdo enviado à CPI.

Alexandre Garcia, um dos jornalistas prediletos da família Bolsonaro, teve 126 vídeos removidos. Em maio, ele próprio apagou 66 vídeos e escondeu outros 429 em seu canal do YouTube. Os conteúdos apresentavam uma visão negacionista sobre as vacinas da Covid-19 e também sobre a própria doença.

O canal Aconteceu na Política, outro que figura na lista do Google, alegou sem provas, por exemplo, que “governadores estão estocando vacinas e seis milhões sumiram” e disseminou mentiras sobre a CoronaVac. Já o canal Brasil de Olho afirmou, em um vídeo, que o tratamento precoce poderia ter salvo muita gente da morte. Remédios sem eficácia foram defendidos pelos canais em vídeos removidos ou deletados.

Títulos cifrados

O jornal O Globo informou que youtubers bolsonaristas apelavam a títulos cifrados para impedir que o Google encontrasse o conteúdo, como o uso da palavra “V4cina”, ao invés de “Vacina”, e “tratamento inicial”, no lugar de “tratamento precoce”, que é a propaganda de medicamentos sem eficácia comprovada contra a Covid-19.

O levantamento contém vídeos do Foco do Brasil, canal investigado no inquérito aberto pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar os atos antidemocráticos no país. Assessor do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), Tercio Arnaud Tomaz repassou vídeos ao canal e ajudou o administrador a retransmitir imagens da TV Brasil.

Em depoimento à Polícia Federal em julho do ano passado, o dono do Foco Brasil, Anderson Rossi, disse ter um faturamento mensal de R$50 mil a R$140 mil. Vale frisar que o governo Bolsonaro pagou mais de R$1,3 milhão a influenciadores digitais para patrocinar ações de marketing sobre o tratamento precoce, fato divulgado pela imprensa em março deste ano.

Decreto contra plataformas

Não é à toa que o governo Bolsonaro estuda medidas para impedir ou dificultar que as plataformas digitais deletem vídeos contendo notícias falsas. Um decreto já estaria pronto, visando proibir as redes sociais de apagar conteúdos ou suspender contas sem uma ordem judicial. Mas, com a pressão da imprensa, o presidente adiou a decisão de colocar a iniciativa em prática.

12 de junho de 2021, 10:42

Compartilhe: