Contaminação em praia de Paripe deixa pescadores sem renda há mais de dois meses
Da Redação
Pescadores, marisqueiras e ambulantes da praia de São Tomé de Paripe, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, denunciam prejuízos financeiros e abandono do poder público após mais de dois meses da contaminação da faixa de areia e do mar por produtos químicos.
As manchas amarelas e azuis começaram a ser identificadas em fevereiro. Desde então, moradores relatam a morte de peixes e mariscos, além da redução drástica do movimento na praia, afetando diretamente a renda de cerca de 600 famílias da comunidade.
Em entrevista ao G1, o presidente da Associação de Pescadores e Marisqueiras do Subúrbio, Reinaldo Jorge Cirne, afirmou que muitos trabalhadores precisaram buscar outras formas de sobrevivência diante da paralisação das atividades.
“Esse produto tóxico acaba com tudo. Alguns pescadores estão catando lata, papelão, fazendo reciclagem para sobreviver”, afirmou.
De acordo com a entidade, cerca de 1.200 profissionais integram a associação. Parte deles tenta manter a pesca em outras localidades, mas enfrenta dificuldades para comercializar os produtos, principalmente na Feira de Paripe, devido ao receio da população em relação à contaminação.
Para minimizar os impactos econômicos, moradores passaram a organizar eventos comunitários nos largos do bairro para gerar renda aos comerciantes locais.
A contaminação é investigada pelo Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, que identificou a presença de nitrato e cobre na região. Segundo o órgão, o problema está relacionado à estocagem e movimentação de granéis sólidos no Terminal Itapuã, atualmente administrado pela Intermarítima.
As atividades no terminal foram interditadas em março, após a confirmação da presença dos produtos químicos.
Em nota, a Intermarítima afirmou que não movimenta cargas relacionadas às substâncias encontradas e atribuiu a responsabilidade à Gerdau, antiga administradora do terminal. A Gerdau, por sua vez, declarou que vendeu o espaço em 2022 e que as análises ainda não apontam a origem da contaminação.
Moradores criticam a lentidão das respostas dos órgãos públicos. Segundo as lideranças locais, a única ação direta ocorreu em 8 de abril, quando as secretarias municipais Sempre e Semar distribuíram cestas básicas para parte das famílias afetadas.
Além do Inema, o caso é investigado pela Polícia Federal, Polícia Civil e acompanhado pelo Ministério Público.
Segundo a Secretaria Municipal da Saúde, as substâncias encontradas podem causar irritações cutâneas, problemas gastrointestinais e outros sintomas de intoxicação. A pasta orienta que a população evite consumir peixes e mariscos capturados na área, além de evitar contato com a água do mar na região investigada.








