quarta-feira, 6 de maio de 2026

Corredor Bioceânico entre Brasil e Chile deve reduzir preço de alimentos, afirma Simone Tebet

Foto: Divulgação/Governo do MS

Da Redação

A ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, afirmou nesta quarta-feira (23) que a conclusão do Corredor Bioceânico — rota rodoviária que ligará Brasil e Chile passando por Paraguai e Argentina — deve reduzir significativamente o preço de alimentos comercializados entre os dois países. A declaração foi feita durante o Fórum Empresarial Brasil-Chile, realizado na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília, com a presença do presidente chileno, Gabriel Boric, e do ministro da Economia do Chile, Nicolas Grau.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, Tebet destacou que a travessia está em fase de construção e deverá ser concluída até maio de 2026. Ainda de acordo com a ministra, cerca de 200 quilômetros de pavimentação estão em andamento no território paraguaio e devem ser finalizados até dezembro de 2025, embora a previsão seja de que a entrega ocorra antes disso.

O Corredor Bioceânico será formado por estradas já existentes e trechos em obras, conectando Porto Murtinho (MS), no Brasil, a Carmelo Peralta, no Paraguai, por meio de uma ponte construída com recursos da Itaipu Binacional. A partir daí, o trajeto segue por território argentino até alcançar os portos chilenos no oceano Pacífico.

A nova rota promete encurtar distâncias logísticas e reduzir custos de transporte entre os países. Atualmente, caminhões que transportam carnes e grãos de Mato Grosso do Sul precisam seguir até o sul do Brasil para atravessar os Andes até o Chile, percurso que será significativamente encurtado com a nova conexão.

“Essa redução de viagem deve resultar em uma queda de 24% no preço da carne para o consumidor chileno. Nós também seremos beneficiados, porque o salmão, por exemplo, também terá que reduzir seu preço. Tenho certeza de que as compras de pescado do Chile ficarão mais baratas”, afirmou Tebet, conforme registrado pela Folha de S.Paulo.

O presidente Gabriel Boric também comemorou o avanço da obra, destacando seu potencial não apenas econômico, mas também turístico. “Esse corredor é uma das melhores experiências e exemplos de ações colocadas em prática, não é só retórica. Vamos interligar o Pantanal e o deserto do Atacama, dois sistemas únicos no mundo. Isso não é só comércio, isso também é turismo. Vai ser uma via não só de transporte, mas de encontro dos povos”, disse Boric, segundo a Folha de S.Paulo.

Em 2024, o Brasil exportou R$ 38 bilhões ao Chile e importou R$ 28,27 bilhões, resultando em um superávit de quase R$ 10 bilhões. O fluxo comercial entre os dois países superou os R$ 66 bilhões. O principal produto brasileiro vendido ao Chile foi o petróleo (29% das exportações), seguido por carnes bovinas (7,9%) e veículos (4,7%). Já o Brasil comprou principalmente cobre (46%), pescados (19%) e minérios (5,9%) do país vizinho.

24 de abril de 2025, 10:00

Compartilhe: