sexta-feira, 1 de maio de 2026

Decisões do BC renderam bilhões ao BTG com bancos ‘ressuscitados’

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Da redação

Documentos obtidos pelo site Bastidor revelam que decisões recentes do Banco Central garantiram ao BTG, de André Esteves, pelo menos R$ 11 bilhões em créditos contra a União. As medidas partiram da Diorf, área estratégica do BC, sob comando de Renato Gomes, nomeado diretor em 2022 por Jair Bolsonaro. Foi nesse período que a autarquia encerrou as liquidações extrajudiciais dos bancos Econômico e Nacional, abrindo caminho para que o BTG assumisse seu controle.

As liquidações vinham desde os anos 1990, após as quebras desses bancos durante o Proer, programa de socorro criado no governo FHC. Ao assumir o controle, o BTG transformou instituições consideradas “zumbis financeiros”, repletas de passivos, em CNPJs limpos, carregados de créditos fiscais e títulos federais valiosos. O precedente havia sido estabelecido em 2014, com o Bamerindus, e foi replicado no Econômico e no Nacional entre 2022 e 2024.

No caso do Econômico, o BTG gastou menos de R$ 1 bilhão para adquirir créditos de grandes credores e convertê-los em participação acionária. Assim, capitalizou o banco, quitou passivos e ganhou acesso a ativos estimados em mais de R$ 10 bilhões. A decisão do BC para encerrar a liquidação saiu em apenas três meses. Já no Nacional, o banco desembolsou cerca de R$ 2,7 bilhões em aumento de capital e, em menos de um mês, obteve a aprovação da transferência de controle, garantindo outros bilhões em créditos e prejuízos fiscais.

Essas operações geraram suspeitas dentro e fora do BC, já que o BTG foi o único beneficiário privado. Críticos afirmam que o processo reforça a concentração bancária e reproduz práticas históricas em que grandes bancos lucram com a intervenção estatal. A proximidade entre Renato Gomes, André Esteves e o presidente do BC, Roberto Campos Neto, ambos do mesmo círculo carioca do mercado financeiro, reforçou a percepção de favorecimento político por trás de decisões apresentadas como meramente técnicas.

Na prática, o BTG conseguiu ressuscitar bancos falidos e transformá-los em fontes bilionárias de créditos contra o próprio Estado. Técnicos do TCU chegaram a apontar irregularidades no ritmo acelerado de pagamentos de FCVS ao BTG, mas foram ignorados. O caso escancara como decisões administrativas do Banco Central, ainda que justificadas sob a ótica regulatória, podem redesenhar o sistema financeiro em favor de poucos grupos, num modelo em que apenas gigantes como o BTG saem ganhando.

01 de setembro de 2025, 20:30

Compartilhe: