sábado, 9 de maio de 2026

Denúncia ao MP-BA aponta supostas irregularidades em escalas médicas no Hospital Octávio Mangabeira, em Salvador

Foto: Leonardo Rattes/SaúdeGovBA

Da redação

Uma denúncia encaminhada ao Ministério Público da Bahia (MP-BA) aponta supostos indícios de irregularidades nas escalas do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) do Hospital Especializado Octávio Mangabeira, em Salvador. Segundo o Correio, planilhas indicam que o coordenador do setor teria o nome registrado em plantões que somariam cobertura praticamente 24 horas por dia, sete dias por semana, por quatro meses consecutivos.

Nas escalas do setor de Infectologia referentes ao mês de fevereiro, o nome do médico Bruno Buzo aparece em todos os dias da semana, incluindo plantões sozinho aos sábados, domingos e segundas-feiras. Os registros indicam jornadas de 24 horas diárias, com exceção das sextas-feiras, quando constariam turnos de quatro horas. Outros dois médicos aparecem com cargas significativamente menores.

A denúncia apresentada ao MP-BA afirma que o modelo de escala indicaria ausência de períodos adequados de descanso, o que poderia configurar infração ética e representar risco à segurança dos pacientes, além de levantar suspeitas de possíveis danos aos cofres públicos. Em novembro do ano passado, por exemplo, o nome do coordenador aparece 87 vezes nas planilhas, enquanto outro profissional consta 17 vezes e uma terceira médica apenas uma vez no mês.

Em resposta ao jornal Correio, o médico Bruno Buzo negou irregularidades e afirmou que parte dos registros refere-se ao chamado “sobreaviso híbrido conectado”, modalidade em que o profissional presta suporte remoto e só se desloca ao hospital quando necessário. Ele ressaltou ainda que o serviço de Infectologia é terceirizado e que a organização das escalas é de responsabilidade da empresa BL2 – Serviços Médicos SS, da qual é sócio.

A Fundação José Silveira, responsável pela gestão do hospital, informou desconhecer a origem das escalas encaminhadas ao MP-BA e afirmou que a divisão de tarefas cabe exclusivamente à empresa contratada. Já a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) declarou que a administração da unidade é de responsabilidade da fundação. O Ministério Público não comentou o caso até o momento.

11 de fevereiro de 2026, 11:30

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