Desembargadora do TJ-PA que ganhou R$ 91 em ‘penduricalhos’ critica cortes de benefícios e diz que magistratura caminha para “regime de escravidão”
Da Redação
A desembargadora Eva do Amaral Coelho, do Tribunal de Justiça do Pará, afirmou durante sessão que a magistratura brasileira caminha para um “regime de escravidão” diante de recentes restrições a benefícios salariais.
A declaração ocorre após decisão do Supremo Tribunal Federal que extinguiu 15 benefícios, manteve oito verbas indenizatórias e estabeleceu que esses valores não podem ultrapassar 35% do subsídio, respeitando o teto do funcionalismo público, atualmente fixado em R$ 46.366,19.
Dados apontam que a magistrada recebeu R$ 91 mil líquidos em março e acumulou R$ 216 mil no primeiro trimestre. Integrante da 3ª Turma de Direito Penal, ela chegou ao cargo de desembargadora em julho de 2020, após 35 anos de carreira.
Durante a sessão, Eva do Amaral criticou a forma como a categoria tem sido vista pela sociedade. “Os juízes estão sendo vistos como bandidos, como pessoas sem escrúpulos, pessoas que querem ganhar muito sem fazer nada”, afirmou.
Em outro momento, a desembargadora reagiu ao uso do termo “penduricalhos” para se referir aos benefícios. “Uma expressão tão chula e tão vagabunda que jogaram em cima da magistratura, que hoje vive uma tensão enorme, porque não se vai ter, daqui a algum tempo, como pagar nossas contas”, disse.
A fala ocorre em meio ao debate nacional sobre remuneração no Judiciário e limites para verbas indenizatórias.








