sexta-feira, 8 de maio de 2026

Dicas de livros infantis: a poesia do cotidiano na obra de Ana Rapha Nunes

Foto: Divulgação

O Painel dos Livros traz hoje dois livros da escritora Ana Rapha Nunes, autora de literatura infantojuvenil. São dois títulos voltados para crianças que estão no início da alfabetização, com texto em caixa alta e narrativa curta, mas que trabalham temas importantes de forma acessível.

O primeiro é “A Poça d’Água”, publicado pela Pera Book, com ilustrações de Paula Kranz. A história acompanha uma menina que sai para passear pelo bairro com a mãe depois da chuva. No caminho, ela para diante de uma poça d’água e aquilo que poderia passar despercebido ganha outra dimensão. A menina observa os reflexos, as cores, o céu espelhado na água e começa a imaginar. Ela compara, associa, cria imagens a partir do que vê.

O enredo é simples, mas o foco está justamente nesse olhar infantil que transforma uma cena cotidiana em descoberta. O texto é curto, quase em prosa poética, e funciona muito bem para quem está começando a ler, porque não é cansativo e ao mesmo tempo estimula a imaginação. As ilustrações ajudam a ampliar essa experiência visual que a própria história propõe.

O segundo livro é “Dias de Passarinho”, publicado pela editora Duna Dueto e ilustrado por Mônica de Freitas. Aqui, o protagonista é um menino que encontra um passarinho que caiu e se perdeu do bando. Ele leva o animal para casa e, com a ajuda da avó, cuida dele até que se recupere. Quando o passarinho melhora, o menino entende que é hora de devolvê-lo ao céu.

A narrativa trabalha questões como cuidado, responsabilidade e, principalmente, liberdade. O gesto de acolher é importante, mas o gesto de deixar ir também é. De forma simples, o livro fala sobre afeto sem transformar isso em discurso explícito. A presença da avó também reforça a ideia de transmissão de valores dentro da família.

Nos dois livros, Ana Rapha Nunes aposta em histórias curtas, linguagem direta e situações do cotidiano. São textos que não dependem de grandes acontecimentos, mas do olhar da criança sobre o mundo. E talvez seja justamente aí que esteja a força dessas obras: mostrar que, na infância, o extraordinário pode estar nas coisas mais comuns.

22 de fevereiro de 2026, 10:41

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