sábado, 13 de junho de 2026

Dilma acusa imprensa de ser conivente com o crescimento do neofascismo bolsonarista

Foto: Divulgação/Palácio do Planalto

Redação

O papel da imprensa ao cobrir as declarações do presidente Jair Bolsonaro e de seus filhos ao defenderem os regimes totalitários e a prática da tortura foi amplamente criticado pela ex-presidente Dilma Rousseff. Em resposta a pedido do jornal O Estado de S.Paulo, Dilma afirma, em nota divulgada neste sábado (02) à tarde, que não se surpreende com a ameaça feita esta semana pelo deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) de uma possível volta do Ato Institucional 5 (AI-5), o mais duro do regime militar brasileiro.

Segundo ela, o que surpreende é a passividade e até a cumplicidade de parte da imprensa brasileira ao longo dos anos em relação ao discurso da família Bolsonaro. Algo que, ressalta, vem de muitos anos. A mídia, diz ela, sempre fez vista grossa ao crescimento do “neofascismo bolsonarista”.

“Antes das eleições não havia dúvidas a respeito. Durante as eleições e depois dela, muito menos, pois têm se expressado contra a democracia e os princípios civilizatórios em todas as oportunidades que tiveram”, escreveu a petista no texto intitulado “Sobre os surtos neofascistas e a covardia”.

Para Dilma, nunca houve reação à altura por parte dos principais veículos de comunicação do país às ameaças feitas por Bolsonaro e filhos contra a democracia.

“O grave é que nunca receberam da imprensa a oposição enérgica que mereciam. Ao contrário, acredito que a imprensa fez vista grossa ao crescimento do neofascismo bolsonarista, porque este adotara a agenda neoliberal”, afirmou a ex-presidente. “Na verdade, em prol da realização da agenda neoliberal, na melhor hipótese se autoiludiram, acreditando que poderiam cooptar ou moderar Bolsonaro. Mas a defesa do AI-5 e da ditadura sempre esteve lá”, ressaltou.

Fechamento do Supremo

Dilma citou vários episódios em que Bolsonaro e Eduardo defenderam a ditadura, como no caso em que o filho do presidente afirmou que bastava um cabo e um soldado para fechar o Supremo e nas vezes em que ambos homenagearam o coronel Brilhante Ustra, condenado por tortura. A ex-presidente foi presa e torturada durante a ditadura militar.

A petista ainda fez uma crítica direta ao jornal O Estado de S. Paulo: “É estranho que me perguntem o que eu acho da última declaração sobre o AI-5, pois a minha vida toda lutei, e continuo lutando, contra o AI-5, seus assemelhados e seus defensores. O Estadão, que me faz esta pergunta, também deve e precisa responder, pois sua posição editorial tem sido, diga-se com muita gentileza, no mínimo ambígua diante da ascensão da extrema direita no país”.

02 de novembro de 2019, 19:31

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