“É um pesadelo ainda longe de acabar”, afirma pesquisadora da Ufba sobre óleo no Nordeste
A diretora do Instituto de Geociências da Universidade Federal da Bahia (Igeo-Ufba), Olívia Maria Cordeiro de Oliveira, 51 anos, concedeu entrevista ao Correio Online* sobre o fato de sua equipe ajudar na investigação sobre a origem do óleo que atinge as praias do Nordeste. Para ela, “o pesadelo ainda está longe de acabar”.
Sem ter acesso às investigações e pensando oferecer um estudo isento, pesquisadores do Igeo e da Universidade Federal de Sergipe (UFS) entraram em parceria para coletar amostras do óleo para análise. Utilizando equipamentos chamados de cromatógrafos, eles viram os compostos presentes e a era geológica a qual pertenciam. Resultado: chegaram à mesma conclusão que a Petrobras (que atestou que o óleo era similar ao de uma bacia petrolífera venezuelana), e o laudo emitido pelo Igeo foi incorporado às investigações da Polícia Federal. Agora, Olívia considera encerrado o trabalho de “geoquímica forense” e relembra o papel da universidade pública no problema, que, este sim, está longe de acabar.
Questionada sobre o que moveu a equipe a participar do processo de descoberta, ela afirmou: “Nos perguntavam ‘Por que vocês vão coletar amostras?’. Existe toda uma história, um preâmbulo sobre a quebra do monopólio das empresas petrolíferas no Brasil. O governo investiu para que outras instituições tivessem instrumentos analíticos e de pessoal para adquirir expertise em petróleo e nós começamos a trabalhar nisso. Era uma área muito fechada, uma única companhia tinha o conhecimento. A disciplina de Geologia do Petróleo nem existia, eu cheguei em 2006 como professora dela. Então, como gestora, eu me senti na obrigação de fazer algo porque estava chegando até nós. É uma obrigação ética, moral e institucional”, afirmou.
Segundo ela, após a Ufba apresentar o laudo do estudo em 10 de outubro, a Universidade passou a colaborar oficialmente com as investigações da Polícia Federal. “Depois da coletiva que a Ufba promoveu para apresentar o laudo [10 de outubro], eu pensei que nosso trabalho estava encerrado. No outro dia, recebi uma ligação do delegado do caso solicitando o nosso laudo e pedindo colaboração a partir dali. O pessoal de criminalística da Polícia Federal passou uma semana com a gente. Eles trouxeram outras amostras dos estados mais acima da Bahia e nós buscamos identificar o grau de intemperismo [conjunto de processos que podem alterar fisica e quimicamente o petróleo após derrame]de lá de cima até embaixo. Eu assinei um termo de confidencialidade sobre o que estávamos fazendo para não atrapalhar as investigações. Analisamos também o conteúdo do barril de petróleo [encontrado em Natal, Rio Grande do Norte] e não achamos similaridade com o óleo que vínhamos analisando. Não temos ideia de como ele chegou ali. Ao mesmo tempo, o óleo já chegava aqui na Pituba, em Salvador, e foi um terror. Agora nós também estamos em parceria com a Bahia Pesca, numa análise que está em andamento sobre a qualidade do pescado”, explicou.








