Em passagem pela Bahia, Bolsonaro diz que fazem campanha com ‘números mentirosos sobre a Amazônia’
Três dias após a polêmica envolvendo dados sobre desmatamento que culminou com a exoneração do diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Ricardo Galvão, o presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), disse nesta segunda-feira, 5, em Sobradinho, no norte da Bahia, que alguns brasileiros ousam divulgar números mentirosos sobre a Amazônia.
“A Amazônia é um potencial incalculável. Por isso, o mundo está de olho nela. Por isso alguns brasileiros ousam em fazer campanha com números mentirosos sobre nossa Amazônia”, disse o presidente. “E nós temos que vencer isso, e mostrar para o mundo, primeiro, que o governo mudou e, depois, que nós temos responsabilidade para mantê-la nossa, sem abrir mão de explorá-la de forma sustentável.”
Mais cedo, em entrevista à Rádio Eldorado, o ministro da Ciência e Tecnologia, Inovação e Comunicação, Marcos Pontes, afirmou nesta segunda que o nome do novo diretor do Inpe deve ser anunciado até esta terça-feira, 6. Segundo ele, o critério será técnico e, entre os preferidos, está um oficial da Aeronáutica doutor em desmatamento. “Estou procurando nome que tenha conexão com Inpe, que tenha conhecimento nessa área (desmatamento) e em gestão”, disse Pontes.
O ministro declarou que Galvão tornou a situação insustentável ao procurar a imprensa para rebater os comentários de Bolsonaro em vez de tentar resolver a situação pelo diálogo.
“Se o Galvão tivesse me procurado após os comentários de Bolsonaro, tudo poderia ter sido resolvido no diálogo. O fato de ter falado direto com a imprensa gerou perda de confiança”, afirmou Pontes à Eldorado. “Tem influência do presidente (na demissão), mas também tem minha parte, porque se tornou difícil contornar a situação.”
Usina Solar Flutuante
O governo federal inaugurou hoje a primeira etapa da usina solar fotovoltaica flutuante, que transforma a luz solar em energia elétrica, instalada pela Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf) no reservatório da Usina Hidrelétrica de Sobradinho, na Bahia. O empreendimento aproveita a área represada do Rio São Francisco e tem capacidade de gerar de 1 megawatt-pico (MWp) de energia.
O objetivo do governo federal é ampliar essa experiência, de instalar painéis solares em espelhos da água, para atrair investimentos privados e promover leilões de geração de energia renovável na área de transposição do Rio São Francisco. De acordo com os ministérios de Minas e Energia e do Desenvolvimento Regional, é possível elevar o potencial energético abrangido pelo Projeto de Integração do Rio São Francisco, estimado em 3,5 GigaWatts, e garantir recursos para o bombeamento das águas do rio, que hoje custam R$ 300 milhões por ano.
“Esse solo escaldante e esse calor abundante é o que vão gerar energia para que os motores funcionem e irriguem o nosso sertão de verdade”, disse o presidente Jair Boslonaro, durante a inauguração da usina da Chesf. “Essa nova forma de buscar energia com placas fotovoltaicas em cima de um lago como esse aqui é bem-vindo ao Brasil”, completou
Bolsonaro destacou que, se todo o potencial do espelho d’água de Sobradinho fosse utilizado para energia solar fotovoltaica, seria possível gerar 60% mais energia do que as próprias turbinas da usina hidrelétrica. O reservatório de Sobradinho tem uma superfície de 4,2 mil quilômetros quadrados, com uma hidrelétrica capaz de gerar 1,05 mil MegaWatt.







