Empreender & Inovar: Gestores públicos buscam desburocratizar jornada do empreendedor
Carlos Macedo
Menos burocracia, mais inovação
“É possível aplicar a transformação digital na gestão pública”. A afirmação é da presidente da Junta Comercial da Bahia (Juceb), Paula Miranda, que participou do seminário Bahia Mais Simples, realizado pelo Sebrae, em formato online, na última terça-feira (30).
O debate principal ficou em torno da simplificação de processos para abertura, alterações contratuais e até mesmo encerramento de empresas na Bahia. “Precisamos encurtar o caminho do empresário por meio da tecnologia e, com essa diretriz, temos obtido excelentes resultados”, frisou Miranda.
Essa é também uma das bandeiras defendidas pelo Sebrae. O superintendente da instituição na Bahia, Jorge Khoury, destacou que, com a simplificação de processos, é possível criar um ambiente de negócios mais favorável nos municípios. “Com isso, vamos contribuir para que os micro e pequenos negócios baianos possam avançar ainda mais”.
Tempo de abertura
O seminário apresentou ainda alguns avanços na Bahia referente ao tempo médio de abertura de empresas. A apresentação desses dados ficou por conta de Paulo Spencer Uebel, que foi secretário especial de Desburocratização, Gestão e Governo Digital do Ministério da Economia (2019-2020).
Segundo Uebel, em setembro de 2019, o tempo médio para abrir uma empresa na Bahia passava de 15 dias. Já em outubro de 2021, esse tempo caiu para menos de 5 dias. Nesse intervalo, destacou o palestrante, diversas medidas foram adotadas, no sentido de simplificar os processos, entre os quais o investimento em transformação digital. Para ele, é necessário que os gestores públicos observem cinco aspectos fundamentais de mudança: cultural, procedimental conceitual e de resultados.
“Do ponto de vista cultural, é preciso que o governo federal, estado e prefeituras tenham foco no cidadão, para facilitar a vida das pessoas. A mudança procedimental diz respeito ao foco no que é relevante e estratégico. Do ponto de vista conceitual, o foco deve ser na moralidade, eficiência e legalidade. Por fim, a mudança de resultados é a busca ´por uma administração pública mais célere, previsível, técnica e orientada a geração de valor”, concluiu.
Bons exemplos
Os municípios de Salvador e Barreiras foram apresentados como bons exemplos nas questões debatidas durante o Bahia Mais Simples. Representantes das respectivas gestões falaram sobre as medidas adotadas para facilitar a vida do empreendedor.
Por Salvador, Ana Vitória Gomes e Paloma Cunegundes, da Secretaria de Desenvolvimento Urbano de Salvador (Sedur), destacaram o programa Acelera Empresa, focada em dar mais celeridade na abertura de novos negócios na capital baiana, a partir da integração de sistemas, o que permitiu reduzir o tempo médio de abertura de empresas na capital baiana para 2 dias e 19 horas.
Já os secretários de Barreiras, José Marques (Agricultura e Tecnologia) e Roberto de Carvalho (Indústria, Comércio e Turismo), trouxeram o exemplo do município da região Oeste. Em Barreiras, o tempo médio de abertura de empresas era de 15 dias, hoje é de 4.21 dias. José Marques destacou que o objetivo é que esse processo leve menos de um dia.
Oportunidades em TI
Com o setor de Tecnologia da Informação e Comunicação aquecido, a capacitação se torna um caminho fundamental para os que buscam oportunidades na área. O Senai oferece diversos cursos técnicos na área, com conclusão em até 18 meses. As matrículas estão abertas até o dia 20 de dezembro e com desconto de 40% na primeira mensalidade. As informações estão no site www.tecnicosenai.com.br.
E o momento é propício para quem deseja atuar na área. Segundo o Relatório Setorial Macrossetor de TIC da Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia e Comunicação e de Tecnologias Digitais (Brasscom), divulgado em 2020, a previsão é de que até 2024 o mercado de Tecnologia da Informação contrate até 420 mil profissionais capacitados para atuar no setor.
Saúde da população negra
A Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia, com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa (Fapesb) lançou a segunda edição do edital de Saúde da População Negra e Doença Falciforme.
Com investimento de aproximadamente R$1,5 milhão, a iniciativa tem o objetivo de fomentar pesquisas científicas, tecnológicas e de inovação em doenças predominantes na população negra e dos povos tradicionais.
O edital pode ser acessado no site da Fapesp e as propostas devem ser enviadas até dia 16 de fevereiro de 2022.
Sertão inovador
Um evento realizado em Caetité, na semana passada, buscou evidenciar ecossistemas de inovação e empreendedores locais. O 1º Encontro Sertão do Saber, promovido pela Bahia Mineração (Bamin), reuniu especialistas e a comunidade local em um espaço de interação, debates, intercâmbio de conhecimentos e experiências de aprendizagem.
A programação incluiu workshops e palestras com foco em temáticas ligadas à inovação e educação empreendedora. A palestra magna ficou por conta da jovem Ana Luísa Beserra Santos, cientista e empreendedora social, reconhecida internacionalmente por instituições como a ONU, Unesco e MIT.
Quando ainda era estudante, aos 15 anos, Ana Luisa desenvolveu o Aqualuz, tecnologia voltada para zonar rurais, utilizada para tratar água de cisterna usando a luz do sol. Aos 17 fundou a startup SDW para desenvolver tecnologias que tornassem o acesso à água e saneamento um direito universal, hoje considerada uma das 50 startups que mudam o Brasil.
O 1º Encontro Sertão do Saber aconteceu entre os dias 23 e 25 de novembro, no Teatro João Gumes, em Caetité.
Inovação na indústria
Uma pesquisa divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) demonstra que os pequenos empreendimentos do setor têm dificuldade em tornar a inovação uma atividade contínua. Apesar de 82% das empresas informarem que inovaram, pelo menos, uma vez nos últimos três anos, a maioria (68%) não possui uma área de inovação.
Além disso, 76% não têm orçamento específico para inovação nem profissionais dedicados exclusivamente a esse fim. Mas, para 57% dos executivos, a importância que a empresa dá para a inovação é alta ou muito alta. Reflexo disso está no fato de que 68% das pequenas indústrias que participaram da pesquisa informarem que tiveram ganhos de lucratividade, produtividade e competitividade ao inovar em seus processos durante a pandemia.
Ainda de acordo com a pesquisa, 45% das empresas apontaram que as dificuldades para inovar no período de Covid-19 aumentaram, enquanto 19% consideram que diminuiu. Para 36%, ficou igual.
Dificuldades
Os donos de pequenas indústrias apontaram que, entre as principais dificuldades para inovar durante a pandemia, estavam o acesso a recursos financeiros de fontes externas à empresa (20%); dificuldade para contratar profissionais (9%); para obter mão de obra qualificada (6%), de orçamento na empresa (6%); e de acesso à cadeia de fornecedores (5%). Outras 78% sentiram impacto da pandemia sobre seus negócios, sendo que 27% disseram ter sido muito.
O levantamento foi feito pelo Instituto FSB Pesquisa com executivos de 500 indústrias de pequeno porte (de 10 a 49 empregados).














