quinta-feira, 14 de maio de 2026

Empresas são condenadas por assédio eleitoral em apoio a Bolsonaro nas eleições de 2022

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Da Redação

Empresas de diferentes estados brasileiros já foram condenadas pela Justiça do Trabalho por tentar influenciar o voto de seus funcionários em favor do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) durante a eleição de 2022. As práticas incluíram ameaças de demissão, promessas de benefícios, folgas e até distribuição de alimentos, como pernil, em troca de apoio político.

O fenômeno, classificado como assédio eleitoral, remonta ao chamado voto de cabresto da República Velha (1889-1930) e, nas últimas eleições, motivou uma série de ações judiciais.

De acordo com levantamento divulgado pela Folha de S. Paulo, ao menos 30 julgamentos recentes em primeira e segunda instância resultaram em condenações contra empresas que recorreram a pressão, intimidação ou coação para tentar manipular a escolha política de trabalhadores.

Atualmente em prisão domiciliar e declarado inelegível pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) até 2030, Bolsonaro ainda aguarda julgamento no STF (Supremo Tribunal Federal) sob a acusação de tentativa de golpe de Estado para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Casos emblemáticos 

Em Minas Gerais, a Agronelli Ltda. foi condenada por colar adesivos de Bolsonaro em mesas e computadores dos funcionários, além de promover palestras sobre o então presidente. Em uma dessas ocasiões, um diretor chegou a afirmar que, caso o PT vencesse, a empresa seria prejudicada e os empregados perderiam seus empregos.

O desembargador Marcelo Pertence, responsável pelo julgamento, destacou que a empresa tentou “influenciar e manipular o direito de escolha política dos empregados”. A Agronelli foi condenada a pagar R$ 10 mil a uma ex-funcionária, mas recorreu da decisão, alegando que nunca coagiu ou intimidou seus trabalhadores.

No Mato Grosso, a Fomentas também foi punida, com indenização fixada em R$ 50 mil. No processo, constam fotografias de funcionários segurando uma faixa com os dizeres “Fomentas apoia Bolsonaro”, além de mensagens de WhatsApp em que um líder de equipe relatava ter reunido empregados para exibir vídeos críticos a Lula.

A empresa alegou que a reunião não teve caráter de pedido de voto e que a fotografia foi feita por “livre e espontânea vontade” dos colaboradores.

Contexto mais amplo

O estudo da Folha aponta que práticas semelhantes ocorreram em diferentes regiões do país, sempre combinando incentivos e ameaças como forma de direcionar a escolha política dos empregados. Para especialistas, esse tipo de conduta configura violação direta da liberdade de voto e reforça desigualdades históricas na relação entre patrões e trabalhadores no Brasil.

18 de agosto de 2025, 11:30

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