terça-feira, 5 de maio de 2026

Entrevista: “Presidência da Assembleia pode entrar nas conversas sobre 2022”, diz Adolfo Menezes

Foto: Divulgação/Alba

Da Redação

Presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, o deputado Adolfo Menezes (PSB) admitiu que o cargo que ocupa hoje pode entrar nas negociações visando acomodar os principais partidos aliados ao governador Rui Costa (PT) na formação de uma chapa para as eleições de 2022, sobretudo o PP. Em entrevista para as rádios Oeste FM (Barreiras), Boa FM (Itabuna) e 95 FM (Alagoinhas), com a participação do Toda Bahia, o parlamentar, que se coloca como liderado do senador Otto Alencar (PSD), afirmou, inclusive, que não será empecilho nessa discussão, abrindo mão de concorrer à reeleição. Nessa entrevista, Adolfo Menezes, que ocupou o cargo de governador interino enquanto Rui Costa e o vice João Leão (PP) estavam no exterior, falou ainda sobre o impacto do fim das coligações proporcionais sobre o PSD e a criação do União Brasil, a partir da fusão do DEM com o PSL. Confira!

Toda Bahia – O senhor ocupou o cargo de governador de forma interina e, no ano que vem, teremos eleições. Ter sentado na cadeira de governador o deixou animado para tentar voos mais altos em 2022? Como foi a experiência?
Adolfo Menezes –
Fui eleito no início de fevereiro presidente da Assembleia por unanimidade, com apenas um voto contra, do deputado Hilton (Coelho), do PSOL, que todas as eleições o partido exige que ele seja candidato. E como presidente do Poder Legislativo, assumo constitucionalmente o cargo com as viagens do governador Rui Costa e do vice-governador João Leão. Nunca imaginei que, mesmo por pouco tempo e de forma interina, assumiria o governo da Bahia, dando continuidade à agenda ‘correria’ do governador. Em 2022, teremos eleições novamente e digo novamente que, infelizmente, o Congresso Nacional, que tem obrigação de votar as mudanças constitucionais, ainda não realizou uma reforma eleitoral, a exemplo da realização de eleições de cinco em cinco anos e acabar com a reeleição. As eleições, que custam bilhões, acontecem, praticamente, todos os anos, pois saímos ano passado das eleições municiais, e o pau já está comento para 2022. Não tenho intenção de concorrer a deputado federal, nem alçar voos mais altos, como Senado e governo da Bahia, pois temos pesos pesados que estão na frente, como os senadores Otto Alencar e Jaques Wagner e o vice-governador João Leão. Assumiria esses cargos com muita tranquilidade, como assumi o governo de forma interina, mas temos outras pessoas para ocuparem esses cargos agora.

TD – De que forma o senhor acha que o fim das coligações proporcionais pode atrapalhar o PSD? Fala-se, inclusive, que os deputados federais Paulo Magalhaes, Charles Fernandes e José Nunes estariam procurando outras siglas para ter mais chances de se eleger…
AM –
Essa é mais uma coisa vergonhosa para nosso Congresso, porque não faz uma reforma política que precisa ser feita, como não faz as reformas tributárias e administrativas. São vários interesses em jogo em Brasília e para mudar depende de mais de 350 deputados. Isso faz com que todos os anos essas propostas que poderiam melhorar o país sejam jogadas para frente. O que deveria se fazer é uma reforma para vigorar a partir de 2030, porque quando se propõe uma mudança em curto prazo, quem está no Congresso resiste, porque diz que vai ser prejudicado. Existe uma dificuldade em virtude do fim das coligações. Para alguns partidos fortes, como o PSD, liderado pelo senador Otto Alencar, que tem o maior número de prefeitos na Bahia, ou PP de João Leão, o PT, PSB e outros, o fim das coligações vai criar dificuldade. Porque candidatos novos não querem ir para esses partidos, que, teoricamente, precisam de mais votos. Mas acredito que todos esses nomes que você citou vão ficar no partido. Existem ainda as federações que estão sendo criadas, o que é um processo mais complicado, pois a federação é feita para o Brasil inteiro e, no entanto, cada estado tem um interesses diferentes. Mas vamos ver quando se abrir a janela partidária quem fica e quem sai. Não é fácil você fazer política, não é fácil se eleger, ainda mais na situação que o povo brasileiro vive no momento.

TB – Os prefeitos de Itabuna e Alagoinhas, que são do PSD, pretendem lançar as respectivas primeiras-damas como candidatas a vagas nas Assembleia. Como avalia essa estratégia?
AM –
É preciso respeitar. Alguns dos prefeitos, como Joaquim Neto, de Alagoinhas, foram colegas na Assembleia. Estamos em uma democracia. Todos são livres para concorrer. O que a gente ouve falar é que muitos filhos e esposas de prefeitos na Bahia sairão candidatos nas eleições do ano que vem. E no caso de cidades grandes e importantes, como Itabuna e Alagoinhas, essas pessoas já entram muito forte na disputa.

TD – Como o senhor vê a fusão do DEM e do PSL para a criação do União Brasil? Dará mais força a ACM Neto (DEM) na disputa pelo governo da Bahia?
AM –
Pelo menos em termos de recurso, sim, porque o PSL, que elegeu o presidente Bolsonaro, hoje é o maior partido na Câmara Federal. Como o fundo partidário é dividido pelo número de deputados, então com a fusão com o DEM, o União Brasil será o partido a receber o bolo maior dos milhões. Claro que as eleições são em 2022, mas com o grupo atual que governa a Bahia mantendo-se unido, com os senadores Otto e Wagner e o vice João Leão, as chances de continuar na administração do estado são grandes. O grupo detém hoje mais de 350 prefeituras e faz um grande trabalho. Não estou dizendo que a Bahia é um paraíso sem problemas na segurança, infraestrutura e educação. Só esse ano o governador Rui Costa está investindo R$ 2,3 bilhões na educação e mais alguns bilhões na segurança, que é um problema em todo o Brasil, que tem 7 mil quilômetros de fronteira, por onde entram drogas e armamentos de todos os tipos. E com o aumento do desemprego e da fome junta-se a tudo isso tem um caldo perfeito para viver nessa insegurança sem limites que estamos vivendo. Acredito que em 2022 temos todas as condições de continuar, mas eleição só se ganha no dia.

TD – O governador Rui Costa e os senadores Jaques Wagner e Otto Alencar têm trabalhado para tentar acomodar o PP de João Leão na chapa encabeçada pelo PT. Mas Leão tem dito que quer ser cabeça de chapa. O que se tem dito é que, para negociar com Leão, a presidência Assembleia pode ser colocada na mesa. O senhor acha que isso pode acontecer?
AM –
É natural que em uma democracia todo mundo se coloque à disposição de seus grupos. Somos preparados para exercer qualquer cargo. Wagner foi governador por oito anos fez muito pela Bahia, elegeu sucessor. Joao Leão é experimentadíssimo. Nosso líder do PSD, Otto Alencar, foi governado por nove meses, foi também presidente da Assembleia, secretário em várias pastas. São pessoas gabaritadas para ocupar qualquer cargo. Agora é claro que onde tem três vagas não cabem quatro. O que eu ouço é que as chapas começam a ser formadas a partir de dezembro. A presidência da Assembleia é um cargo importante, é um dos Poderes da Bahia, e pode sim entrar nas conversas para 2022. Eu não serei empecilho se for para o time continuar governando a Bahia. Mas, até agora, nada me falaram sobre essa negociação. Na hora certa, o assunto vai ser tratado.

03 de novembro de 2021, 11:10

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