quarta-feira, 29 de abril de 2026

Especial Rioja: O “triângulo de ouro” do enoturismo em Logroño – por José Falcón Lopes

Foto: Asociación Casco Antiguo de Logroño/Divulgação

Quem visitar o “Casco Antiguo” ou Centro Histórico da cidade de Logroño, capital da comunidade autônoma de La Rioja, no norte da Espanha, não pode deixar de conhecer a Concatedral de Santa María de la Redonda, uma imponente igreja do século XVI com lindas torres, altares decorados com ouro e capelas laterais repletas de obras-primas da arte sacra espanhola.

Se o visitante, além de gostar de história e arte, também gostar de vinho, aí então precisa conhecer o Centro de Cultura del Rioja instalado no Palacio de los Yanguas, na Calle Mercaderes, número 09, uma rua localizada exatamente atrás da Concatedral.

E precisa também caminhar pela Calle Ruavieja, onde estão o Calado de San Gregorio e o Espacio Lagares. Juntos, estes três equipamentos formam o chamado “triângulo de ouro” do enoturismo em Logroño porque contam a origem da cultura do vinho na capital da mais famosa Denominação de Origem Qualificada da Espanha, a DOCa Rioja.

É importante saber que o território da DOCa Rioja está dividida em três subzonas de produção, que estão delimitadas de acordo com a disposição das bodegas e seus vinhedos em relação ao Vale do Rio Ebro: a Rioja Alta onde está Logroño e outros 76 municípios possui 243 bodegas; a Rioja Alavesa tem 18 municípios e 226 bodegas espalhadas na região de Álava entre La Rioja e o País Basco; e Rioja Baja ou Oriental tem 49 municípios e 94 bodegas espalhadas na divisa entre La Rioja a Navarra.

La Calle del Vino

Recomendo começar a visita pela Calle Ruavieja, também chamada de “La Calle del Vino” (a Rua do Vinho), onde surgiram as principais bodegas de Logroño, que tiveram um “boom” a partir do século XVI, mas cujo primeiro empreendimento vitivinícola registrado remonta ao ano de 1369.

Na Ruavieja surgiram algumas bodegas mundialmente premiadas como Ildefonso Zubia, Duque de la Victoria, Felipe de la Mata, Marqués de Murrieta Marqués de San Nicolás, Franco Españolas, José Herreros de Tejada e Juán Ladrón.

No Espacio Lagares e no Calado de San Gregorio, o visitante vai conhecer de maneira gratuita a exposição permanente “El Camino del Vino”, que mostra a relação entre o desenvolvimento da Calle Ruavieja e a história da hospitalidade aos peregrinos do Caminho de Santiago que passavam – e ainda passam – por Logroño.

Como o próprio nome sugere, no Espacio Lagares é possível conhecer a história de lagares rupestres, recipientes milenares escavados nas pedras para a pisa da uva e produção de vinho, ainda preservados em Portugal e na Espanha. Também é possível conhecer prensas manuais centenárias, que eram utilizadas para a obtenção do mosto (suco da uva espremida) e os lagos de pedra mais modernos, utilizados na fermentação alcoólica para a produção dos vinhos.

Já no Calado de San Gregorio, o visitante vai conhecer três espaços da exposição “El Camino del Vino” sobre a história da produção do vinho. Logo na entrada, o pavimento térreo é dedicado à história do Caminho de Santiago em La Rioja, com direito a conchas de vieira e relatos seculares de milagres alcançados pelos peregrinos.

A parte mais surpreendente da exposição mostra como a fé dos peregrinos na intercessão do Apóstolo Santiago, padroeiro da Espanha junto com Nossa Senhora do Pilar de Zaragoza, contribuiu para o desenvolvimento de diversas Denominações de Origem ao longo do seu trajeto original percorrido desde a França até a região da Galícia, dentre elas a DOCa Rioja.

No pavimento inferior, uma exposição traz em detalhes a história da Calle Ruavieja, desde a sua origem no século XIV até a produção vitivícola atual na cidade de Logroño, que possui oito bodegas em pleno funcionamento: Arizcuren, Campo Viejo, Franco Españolas, Marqués de Murrieta, Marqués de Vargas, Olarra, Ontañón e Viña Ijalba. Merece destaque o documentário “La Calle del Vino”, apresentado por atores no papel de personagens históricos de La Rioja e que o visitante pode assistir de graça durante a visita.

No último pavimento, localizado num porão transformado em bodega, o visitante tem a oportunidade de conhecer parte do acervo do Museo Vivanco de la Cultura del Vino, que está localizado na cidade de Briones, também na subzona da Rioja Alta. São “azufradores” (sulfuradores), “fuelles” (foles), bombas, filtros, garrafões, medidas, barricas, uma infinidade de utensílios que comprovam a evolução da indústria do vinho.

Por fim, o Centro de Cultura del Rioja no Palacio de los Yanguas é o único equipamento que cobra uma taxa dos visitantes. Ele possui a exposição permanente “La Familia del Vino”, que conta a história de bodegas centenárias da DOCa Rioja através dos seus arquivos fotográficos.

Lá também está disponível para visitação, até o dia 31 de dezembro deste ano, a exposição “Vivanco Cultura” com coleções gráficas e audiovisuais vencedoras do Prêmio Internacional de Grabado y Vino Pedro Vivanco. Contudo, não é permitido que o visitante faça fotos dos materiais exibidos em nenhuma das duas exposições.

E depois de tanta informação sobre vinhos, nada melhor do que fazer uma “cata” (degustação) de alguns bons rótulos da DOCa Rioja nos cafés em volta da Concatedral de Logroño, mas isso é assunto para um outro artigo. ¡Viva Logroño!

José Falcón Lopes é hispano-brasileiro, jornalista formado na FACOM-UFBA e autor da Coluna VinhosBahia.
E-mail: colunavinhosbahia@gmail.com
Instagram: @VinhosBahia

16 de novembro de 2025, 13:32

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