quarta-feira, 24 de junho de 2026

EXCLUSIVO: “Vinho bom é aquele que você gosta”, defende Karina Noçais, organizadora do Grand Tasting Salvador

Foto: Divulgação

Por José Falcón Lopes

Neste sábado (18), o Hotel Vila Galé vai sediar o Grand Tasting Salvador, primeira grande feira de vinhos de 2025 na Bahia, que terá a participação de 13 expositores e permitirá a degustação de mais de 60 rótulos. A Coluna VinhosBahia não vai ficar de fora desse grande encontro e traz com exclusividade para você um bate-papo com a sommelière Karina Noçais, organizadora do evento.

Com opiniões firmes, Karina defende a valorização do vinho brasileiro e explica como sua formação em Letras no idioma francês contribuiu para sua imersão no mundo dos vinhos, fazendo com que se tornasse representante no Brasil de vinhos de alta gama produzidos na região de Bordeaux.

Com muita personalidade, ela afirma que “vinho bom é aquele que você gosta, independentemente do preço ou da situação”. E completa: “O vinho pode ser qualquer coisa, inclusive ser pedante. O que ele não pode é ser só pedante”. Boa leitura.

Coluna VinhosBahia: Karina, você é professora de francês e sommelière. Você pode contar um pouco da sua trajetória no mundo dos vinhos?
Karina Noçais:
Nasci em Santos, me mudei aos 16 anos para São Paulo, capital, e estou há três anos no Rio, que sempre foi a minha paixão. O Rio é sempre lindo, apesar dos problemas e com os problemas. Fiz faculdade de Letras-Francês e, por acaso, comecei a trabalhar numa empresa de cave de vinhos, que é a Art des Caves de São Paulo. Aí descobri que gostava de vinho e fui fazer cursos de vinhos, porque é uma empresa de adegas climatizadas e eu precisava aprender um pouco para explicar porque um vinho tinto tem que ser servido a 18ºC e assim por diante.

Eu sempre sou a favor de que vinho bom é aquele que você gosta, independentemente do preço ou da situação. Se alguém acha que tal vinho é bom ou ruim esse alguém está errado. É você quem está sempre certo. Tem muita gente que diz “eu não sou especialista em vinho”. É, sim. Quem é a pessoa mais importante na sua vida? Você. Então você sabe qual é o vinho que você gosta. Então você é especialista em vinho.

Mas quando saí dessa empresa, continuei dando aulas de francês e tive a oportunidade de ir para a França. Quando cheguei na França, que eu abri aqueles cardápios que têm 55 mil vinhos, eu entendi que precisava de mais um curso sobre vinho francês, porque só o curso básico não dá para entender. Voltei para o Brasil, mas aqui não havia um curso só sobre vinho francês, então fui fazer o curso de sommelière. O meu objetivo era só chegar num restaurante e saber escolher o vinho. Fiz o curso inicialmente de dois anos para quem só queria ler um cardápio. Mas eu nunca tive ideia de que iria trabalhar com vinho. Eu esperava trabalhar como professora de francês e tradutora, que é a minha formação. Mas logo depois um produtor de Bordeaux, na França, me ligou querendo que eu trabalhasse como intérprete numa feira que ia acontecer em São Paulo. Ele pegou meu contato na Aliança Francesa, onde eu já havia trabalhado como tradutora e intérprete. Era a primeira Vinho Expo. Falei para ele que, por acaso, eu era sommelière. Ele me pediu meu currículo e aí comecei a trabalhar como representante do vinho dele aqui no Brasil. Temos hoje cinco rótulos desse produtor de Bordeaux. Ele trabalha com duas importadoras, mas elas não atuam em feiras, atendem a um outro tipo de segmento. Tem uma loja que trabalha com três rótulos dele, a franquia Vinho e Ponto. Eles têm inclusive o Sauternes (vinho de sobremesa de Bordeaux produzido com as uvas Sémillon e Sauvignon Blanc). Em São Paulo, temos o Château d’Uza. É um vinho supercaro, superimportante, feito 100% com Cabernet Sauvignon. De acordo com os estudos feitos em Bordeaux, foi lá onde a Cabernet Sauvignon nasceu. É um vinho muito especial, que tem um valor agregado muito substancial, mas que vale a pena cada gota. Eu que trago o vinho deles. Tenho alguns projetos para ir para Bordeaux este ano e trabalhar com mais empresas, mas é isso que a gente faz hoje.

Coluna VinhosBahia: Como se deu a escolha por Salvador?
Karina Noçais:
Eu tenho muito carinho por Salvador, é uma coisa fenomenal. O Grand Tasting nasceu em Niteróri (RJ) e agora está em Salvador. A gente teve um dica de um dos nossos parceiros, o Alexandre Vasconcellos da Soterovinhos, de que Salvador é um mercado de vinhos com muito potencial. E aí a gente pensou, por que não? Salvador é uma cidade turística e pode ser uma vitrine para o vinho brasileiro. E no mês de janeiro não há muitos eventos de vinho. Por isso a gente investiu em Salvador. Pelo nosso cronograma, o próximo Grand Tasting será no Rio, no mês de abril, e faremos novamente em Niterói, se não me engano, em novembro.

Coluna VinhosBahia: Tem chamado a atenção a estratégia de divulgação do Grand Tasting Salvador nas redes sociais com bastante engajamento dos parceiros, vídeos gravados pelos expositores, códigos de descontos e até a realização de uma live. Você pode explicar um pouco essa estratégia?
Karina Noçais:
A minha ideia a priori era fazer vídeos com os expositores falando dos seus produtos: olha, vocês vão encontrar aqui um vinho cabernet sauvignon, etc. Acabou não funcionando do jeito que eu imaginei, mas funcionou de outro jeito e está tudo bem. Fiz uma live com o Ivan Ribeiro e pretendo fazer outra porque tem muita gente perguntando no “direct” as informações e só que as pessoas não estão vendo as respostas.

Fui expositora durante muito tempo e sempre senti falta desse tipo de ação. Quando eu era expositora, meu vinho era um vinho específico. Eu trabalhava para a Vinhética, que tem vinho feito com madeira brasileira. As pessoas iam na feira e não ficavam sabendo disso, só quem passava no meu estande e tinha a curiosidade de me escutar ficava sabendo. Mas se você faz um vídeo e divulga isso nos perfis do Grand Tasting e da sua empresa, o cliente chega no evento já com a curiosidade de procurar aquele produto. É um jeito de divulgar o evento e de divulgar o expositor. É uma propaganda principalmente para os meus expositores e as pessoas acabam seguindo as vinícolas. O dinheiro que ele investe para participar da feira pode dar retorno antes mesmo do evento começar. E depois a gente vai para outra cidade como Belo Horizonte (MG), por exemplo, e as pessoas de lá ficam sabendo. Então é assim que a gente começa a movimentar o mercado do vinho.

Coluna VinhosBahia: Qual atrativo você destacaria do Grand Tasting aqui em Salvador? São mais de 60 rótulos disponíveis para degustação?
Karina Noçais:
Isso. A gente está com 13 expositores, sendo seis deles de vinícolas nacionais. Dessas seis, duas são da Bahia: a Vaz e a Reconvexo, as duas são da Chapada Diamantina. Teremos vinhos de quatro regiões do Brasil: Centro-Oeste, Sul, Sudeste e Nordeste. Dificilmente você consegue reunir essa variedade de terroirs em um dia só. Sem falar dos vinhos portugueses, franceses e italianos que também estarão aqui.

Coluna VinhosBahia: Você acha que um evento como o Grand Tasting Salvador é recomendável para que está começando a conhecer o mundo dos vinhos, as variedades das uvas, os terroirs?
Karina Noçais:
Sim, claro. A gente chama isso no nosso meio de trabalho de “litragem”: você só consegue entender de vinho se você beber vinho.

Coluna VinhosBahia: Tem mais alguma informação que você considera importante para os leitores do site TodaBahia?
Karina Noçais:
Os ingressos estão à venda na plataforma Sympla. O ingresso te permite provar todos os vinhos que estão em exposição e uma taça que você usará durante a degustação acompanhado de água. No sábado, dia 18, os ingressos vão estar à venda também aqui no Hotel Vila Galé Salvador. A gente não sabe o valor ainda. O pagamento poderá ser feito com cartão de crédito, cartão de débito, Pix e em dinheiro. Esse é o primeiro Grand Tasting Salvador. Queremos fazer uma nova feira aqui no segundo semestre, o Grand Tasting Salvador II, mas ainda vamos definir a data.

17 de janeiro de 2025, 08:38

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