Facções históricas seguem influenciando a política em municípios da Bahia
Da Redação
Levantamento do jornal A Tarde mostra que antigas facções políticas continuam exercendo influência em diversas cidades baianas, mesmo após décadas de mudanças partidárias. Nas eleições municipais de 2024, mais da metade dos municípios do estado teve disputa entre apenas dois candidatos, refletindo uma tradição marcada por grupos locais identificados por apelidos como Jacus, Carcarás, Beija-flores, Gaviões, Boca Preta e Boca Branca. Essas denominações, muitas vezes ligadas a famílias e lideranças tradicionais, atravessaram gerações e permanecem como símbolos de identidade política.
Pesquisas acadêmicas apontam que essas rivalidades nasceram no período do coronelismo e foram adaptadas ao longo do tempo, inclusive durante a ditadura militar, quando facções rivais passaram a disputar eleições dentro da mesma legenda por meio do sistema de sublegendas da Arena. Além das disputas eleitorais, esses grupos influenciavam a distribuição de cargos, obras públicas e a relação dos municípios com o governo estadual, consolidando redes de poder que marcaram a história política da Bahia.
Embora algumas cidades tenham rompido com essa tradição ao eleger lideranças fora dos grupos históricos, casos como os de Santo Antônio de Jesus, Guanambi, Ipirá, Morro do Chapéu e Cícero Dantas demonstram que muitas dessas facções ainda organizam campanhas e preservam forte influência local. Em outros municípios, os apelidos permanecem como referência histórica e cultural, evidenciando a permanência de antigas rivalidades na política baiana.








