terça-feira, 21 de setembro de 2021

Feliciano ganha de Caetano na Justiça e músico chama decisão de ‘absurda’

Foto: Reprodução / Globo

Da Redação

O cantor Caetano Veloso classificou como “absurda” a decisão que absolveu o deputado Marco Feliciano, que havia sido processado pelo artista por acusá-lo de pedófilo.

Na segunda (13), o juiz Nelson Ferreira Junior, da Justiça do Distrito Federal, disse que Feliciano praticava o “exercício legítimo da liberdade de criticar” ao acusar o músico de estuprar Paula Lavigne em 1986, quando eles se conheceram. Ela tinha 13 anos, e Caetano, 40.

Os dois se casaram e tiveram dois filhos. Na época, a Justiça brasileira ainda não contava com a atual previsão de crime nas relações sexuais entre maiores e menores de 14 anos —a discussão era caso a caso, a cargo do juiz.

Em nota, Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, que defendem Caetano, disseram, de acordo com a Folha de S.Paulo, que receberam “a absolvição do pastor Marco Feliciano com bastante perplexidade”.

“As ofensas disparadas pelo deputado nunca tiveram o intuito de criticar ou de propor qualquer debate. São ataques pessoais, reiterados, que têm por efeito, isso sim, um linchamento público da imagem de Caetano Veloso, como forma de obter maior visibilidade”, afirma o texto assinado em conjunto pelos defensores.

“Não se pode aceitar como livre exercício do direito de crítica a atitude de quem usa o outro para alavancar popularidade, imputando-lhe falsamente crime e atos infamantes, tornando a si e à sua família alvo de seus seguidores, algo que acontece nos últimos cinco anos”, continua.

Agora, os advogados de Caetano vão entrar com recurso na segunda instância. “A defesa tem convicção de que reverterá essa decisão absurda no âmbito do Tribunal de Justiça do Distrito Federal.”

À Folha, Feliciano disse que “a luz da esperança” o alcançou. Recuperou sua “imunidade de fala prevista no artigo 53 da Constituição”, afirmou. “Nenhum brasileiro pode ser punido por sua opinião.”​

14 de setembro de 2021, 17:27

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