sábado, 13 de junho de 2026

Flávio José critica perda de espaço do forró nos festejos juninos e cobra valorização da cultura nordestina

Foto: Divulgação

Da Redação

A presença cada vez menor do forró tradicional nos festejos juninos voltou a ser alvo de críticas do cantor Flávio José. Em declaração publicada nas redes sociais nesta sexta-feira (5), o artista paraibano afirmou que os eventos realizados durante o período de São João têm se afastado das raízes culturais nordestinas e demonstrou pouca confiança em uma mudança imediata desse cenário.

Reconhecido como um dos principais representantes do forró pé-de-serra, Flávio disse que ainda são poucas as cidades que tratam o gênero como patrimônio cultural e elemento central das celebrações juninas. Para ele, embora existam iniciativas isoladas de valorização da música regional, a maior parte das programações segue priorizando artistas e estilos que não possuem ligação histórica com a festa.

“Eu gostaria que as cidades se espelhassem em outras que estão começando a entender que a nossa música é da nossa cultura e tradição, mas eu ainda acho que isso está muito distante”, pondera o forrozeiro.

O cantor também afirmou perceber que o espaço destinado ao forró tem diminuído ano após ano. Segundo ele, em muitos eventos, a presença de artistas do gênero ocorre apenas para atender à expectativa do público de encontrar ao menos uma atração ligada à tradição junina.

“Eu vejo aí que não têm mais ninguém de forró. E vejo algumas nas quais eu fui colocado, talvez, muito mais para dar uma satisfação, para dizer: ‘Não, tinha forró, tinha Flávio José’. Mas eu acho que ainda é muito cedo para a gente ser otimista nesse sentido”, desabafa.

As declarações surgem em meio à polêmica envolvendo as apresentações do artista na Bahia. A equipe de Flávio José decidiu cancelar os shows que fariam parte dos festejos juninos de 2026 após questionamentos do Ministério Público da Bahia sobre o valor de seu cachê.

O órgão recomendou aos municípios cautela na contratação do cantor após identificar um reajuste de 40% em relação ao valor praticado anteriormente. A remuneração prevista para este ano era de R$ 350 mil, cerca de R$ 100 mil acima da cobrada na temporada passada.

A decisão de cancelar a agenda provocou reações no meio artístico e reacendeu o debate sobre a valorização dos nomes tradicionais do forró. Defensores do cantor argumentam que artistas que ajudaram a construir a identidade cultural do São João enfrentam restrições e questionamentos que raramente atingem atrações de outros gêneros musicais, frequentemente contratadas por cifras ainda mais elevadas.

Por outro lado, o Ministério Público sustenta que a fiscalização tem caráter técnico e busca assegurar o uso responsável de recursos públicos pelas prefeituras. O órgão afirma que as orientações seguem critérios discutidos com a União dos Municípios da Bahia e levam em consideração indicadores econômicos, como a inflação oficial.

05 de junho de 2026, 18:30

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