domingo, 3 de maio de 2026

Fotojornalista Rogério Ferrari é homenageado com o nome do novo edital da Lei Aldir Blanc em Ipiaú

Foto: Reprodução

Da Redação

O novo edital lançado pela Secretaria de Educação e Cultura de Ipiaú, fruto de recurso remanescente da Lei Aldir Blanc, tem o nome do antropólogo e fotojornalista Rogério Ferrari, que morreu em julho deste ano em decorrência de um câncer. Em edital anterior, a Prefeitura Municipal homenageou o artista plástico Fauzi Maron.

Os R$ 45.720 decorrentes dos recursos remanescentes da Lei nº 14.017, de 29 de junho de 2020, contemplarão 19 propostas nas modalidades de livro e artes visuais. Os prêmios são de R$ 1.500 mil a R$ 5 mil.

Filho do empresário Julival Ferrari e de dona Dilce, militante na segunda geração do Movimento Cultural Rapatição, um dos fundadores da Rádio Livre, e autor de vários livros, Rogério Ferrari retratou a resistência de povos oprimidos e movimentos sociais com foco na liberdade.

Importantes veículos de comunicação nacionais, a exemplo das revistas “Veja” e “Carta Capital”, e internacionais, como a Revista Acción (Argentina) e Periódico El Tiempo (México), além das agências de notícias “Prensa Latina” (Cuba) e “Reuters”(Inglaterra), abriram espaço para o seu trabalho de fotojornalismo. Ele registrou o momento histórico da “Queda do Muro de Berlim”, que significou a derrocada do socialismo autoritário e burocrático stalinista.

Mergulhou fundo na antropologia, tornando-se um observador participante dos povos na luta por sua autodeterminação. Essa busca foi iniciada na Nicarágua, quando serviu como voluntário na colheita de café. Solidarizou-se também com o povo cubano na colheita da cana-de-açúcar. No México, militou na educação com as comunidades indígenas zapatistas.

Criou o projeto “Existências- Resistências” que em mais de vinte anos de viagens e pesquisas publicou sete livros de fotografias (dois destes, com oficinas e exposições pelo país e exterior).

Fotografou os Zapatistas em Chiapas no México; os refugiados palestinos no Líbano e na Jordânia; os Curdos na Turquia; os refugiados Saarauis no deserto de Saara e nos territórios ocupados pelo Marrocos; mapuches no Chile; o MST no Brasil; os ciganos e índios da Bahia.

Era considerado um dos mais interessantes fotógrafos brasileiros engajados em causas sociais. No bom elenco dos agentes culturais de Ipiaú, Rogério Ferrari tem lugar de destaque.

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01 de dezembro de 2021, 16:06

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