sexta-feira, 1 de maio de 2026

Fraudes no Master podem chegar a R$ 12 bilhões, estima diretor da PF

Foto: ANDRESSA ANHOLETE/AGÊNCIA SENADO

Da Redação

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou que as fraudes financeiras investigadas na Operação Compliance Zero podem ter movimentado cerca de R$ 12 bilhões. A declaração foi dada nesta terça-feira (18), durante depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Senado que apura o crime organizado.

Segundo Rodrigues, a ação — deflagrada em parceria com o Banco Central e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) — investiga crimes contra o sistema financeiro nacional envolvendo instituições que teriam criado uma estrutura de emissão de créditos falsos para inflar artificialmente seus balanços.

Logo nas primeiras diligências, a PF apreendeu R$ 1,6 milhão em espécie na casa de um único investigado. O diretor-geral também confirmou que a operação resultou em “várias prisões”.

Entre os principais alvos está Daniel Vacaro, dono do Banco Master, preso no Aeroporto de Guarulhos. Também são investigados o presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, e o diretor de Finanças e Controladoria da instituição, Dario Oswaldo Garcia Júnior — ambos afastados dos cargos.

Esquema de créditos falsos

A operação é fruto de uma investigação iniciada em 2024 para apurar a emissão de títulos de crédito inexistentes por instituições financeiras. A PF aponta que esses bancos simulavam empréstimos e valores a receber, negociando carteiras fraudulentas com outras instituições.

Após validação contábil pelo Banco Central, os créditos simulados eram trocados por outros ativos, sem a avaliação técnica devida — prática que inflava artificialmente os balanços das instituições envolvidas.

O Banco Master é o principal alvo da investigação, aberta a pedido do Ministério Público Federal (MPF).

Com o avanço da operação, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Master Corretora de Câmbio, Títulos e Valores Imobiliários. A EFB Regimes Especiais de Empresas foi nomeada como liquidante, com Eduardo Felix Bianchini como responsável técnico.

Histórico de riscos

O Banco Master já vinha chamando atenção do mercado por sua política agressiva de captação, oferecendo rendimentos de até 140% do CDI para investidores — bem acima da média de bancos de porte semelhante.

A instituição também se envolveu em operações controversas com precatórios e, ao emitir títulos em dólar, enfrentou dificuldades para captar recursos, o que levantou dúvidas sobre sua solidez financeira.

Na segunda-feira (17), mesmo diante da crise, o grupo Fictor, especializado em investimentos e gestão, anunciou a intenção de comprar o Master.

18 de novembro de 2025, 17:37

Compartilhe: