Incêndio florestal de grandes proporções atinge Atenas na Grécia
Da Redação
Milhares de pessoas deixaram suas casas nos arredores de Atenas, inclusive na cidade história de Maratona, e dois hospitais (um infantil e outro militar) foram esvaziados nesta segunda-feira à medida que uma muralha de fogo de 30 km de extensão, com mais de 25 metros de altura em alguns lugares, movia-se em direção à capital grega, alimentada por ventos fortes, informou a emissora pública ERT.
Os incêndios florestais começaram ainda na tarde de domingo, com as chamas, a fuligem e o cheiro de fumaça tomando conta da região — pelo menos 40 incêndios ocorreram no país. O impacto foi tamanho que escureceu o céu da capital e nuvens cinzentas e espessas envolveram o Monte Pentelikon, que se ergue acima de Atenas e é conhecido por produzir o mármore usado na Acrópole e em outros edifícios antigos.
O fogo avançou rapidamente e de forma descontrolada devido aos fortes ventos na região e às condições de seca após repetidas ondas de calor ao longo do verão. Ao menos 670 bombeiros e 183 veículos lutavam contra as chamas que avançaram para os subúrbios da cidade, perto do Monte Pentelikon. Pelo menos 34 aeronaves sobrevoavam a região, informou a rede BBC, destacando que a operação é complexa devido aos ventos fortes, à fumaça e às constantes labaredas.
Os esforços estão concentrados em incêndios registrados em Kallitechnoupoli e Grammatiko, segundo a rede. A União Europeia (UE) disse nesta segunda que quatro países enviariam bombeiros para a Grécia após o país ter solicitado assistência, informou o porta-voz Balazs Ujvari em um comunicado. A França disse que enviou 180 bombeiros, 55 caminhões e um helicóptero enquanto Itália, República Tcheca e Romênia informaram também estar enviando unidades para ajudar.
As autoridades abriram o OAKA, estádio olímpico no norte de Atenas, e outros estádios para abrigar as pessoas que estavam fugindo. Um galpão e quartos em hotéis também foram disponibilizados, informou o jornal português Sic Notícia no domingo. Três grandes hospitais foram colocados de prontidão.
Um bombeiro sofreu queimaduras graves, outro foi hospitalizado com problemas respiratórios, e 13 outras pessoas foram tratadas por problemas respiratórios mais leves, disse o porta-voz da brigada de incêndio, Vassilis Vathrakogiannis.
— As forças de proteção civil lutaram arduamente durante toda a noite, mas apesar dos esforços sobre-humanos, o fogo evoluiu rapidamente — informou Vathrakogiannis, acrescentando que o vento reacendeu o fogo em 40 locais diferentes nesta segunda.
Diante da nuvem de fumaça que podia ser vista em Atenas, o Sindicato dos Pneumologistas pediu aos moradores que evitassem fazer exercícios ao ar livre, e às mulheres grávidas e pessoas frágeis que limitassem as saídas. O primeiro-ministro Kyriakos Mitsotakis interrompeu suas férias e retornou à capital no domingo à noite para lidar com a crise.
A temporada de incêndios florestais de verão este ano na Grécia teve dezenas de incêndios diários após o país mediterrâneo registrar seu inverno mais quente e os meses de junho e julho mais quentes desde que os registros começaram em 1960. A previsão é de que as temperaturas ao redor de Atenas atinjam 39ºC nesta segunda-feira, com rajadas de vento de até 50 km/h.
Catástrofe bíblica
Halandri, uma das principais aglomerações a noroeste de Atenas com 70 mil habitantes, tornou-se o mais recente município do subúrbio a ordenar o deslocamento parcial das áreas ameaçadas pelas chamas. Segundo o prefeito Simos Roussos à ERT, por conta da direção do vento, as autoridades optaram por um “deslocamento preventivo”.
— O fogo está muito próximo — explicou.
As autoridades de proteção civil ordenaram o deslocamento de pelo menos cinco localidades no início desta manhã. Imagens de televisão mostraram chamas queimando entre as casas e carros destruídos pelo fogo em Nea Penteli, um subúrbio frondoso de Atenas, e Vrilissa. Uma escola da região de Nea Penteli foi consumida pelo fogo, e moradores reclamaramm que não há caminhões e bombeiros suficientes, informou a BBC. Um hospital psiquiátrico também foi esvaziado e 65 pessoas deixaram o local.
Em cenas nunca antes vistas na capital grega, alguns moradores usando máscaras jogavam desesperadamente água em suas casas com mangueiras em um esforço para torná-las menos vulneráveis ao fogo nessas regiões. A prefeita de Penteli, Natassa Kosmopoulou descreveu a situação ao portal de notícias newsit.gr como “dramática”, acrescentando que podia “ver o fogo vindo em direção à prefeitura.”
Várias comunidades e cidades menores, incluindo Maratona, que deu nome à corrida olímpica de longa distância e abriga 7 mil pessoas, começaram a ser esvaziadas ainda no domingo. A destruição reavivou as lembranças do desastre de Mati, a área costeira perto de Maratona, onde 104 pessoas morreram em julho de 2018 em uma tragédia mais tarde atribuída a atrasos e erros de deslocamento.
— Estamos enfrentando uma catástrofe bíblica — afirmou e o prefeito de Maratona, Stergios Tsirkas, ao canal de televisão Sakai. — Toda a nossa cidade está envolta em chamas.
“Incêndio florestal perto de você. Siga as instruções das autoridades”, diziam as mensagens SMS enviadas às pessoas na região da Ática, indicando a direção para onde fugir. Uma jornalista grega disse à BBC que muitas pessoas estavam ansiosas para obedecer às ordens, mas muitas “se recusam a sair de suas casas porque querem salvá-las.”








