domingo, 26 de abril de 2026

Indústria cresce 0,6% em 2025, mas perde fôlego no fim do ano com impacto dos juros altos

Foto: Reprodução

Da Redação

A indústria brasileira encerrou 2025 com crescimento de 0,6%, mas perdeu ritmo nos últimos meses do ano sob o impacto da política monetária restritiva. Os dados são da Pesquisa Industrial Mensal, divulgada nesta terça-feira (3) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e marcam o terceiro ano consecutivo de expansão do setor.

Após avançar 3,1% em 2024 e 0,1% em 2023, a desaceleração em 2025 ficou evidente na comparação entre semestres. No primeiro semestre, a produção acumulou alta de 1,2% frente ao mesmo período do ano anterior. Já no segundo semestre, o desempenho foi estável (0%), com recuo de 1,9% entre setembro e dezembro.

Em dezembro, a produção industrial caiu 1,2%, o pior resultado desde julho de 2024. Dos últimos quatro meses do ano, três registraram queda. Mesmo assim, o nível de produção ficou 0,6% acima do patamar pré-pandemia, embora ainda 16,3% abaixo do pico histórico de maio de 2011.

Entre as grandes categorias econômicas, houve crescimento em bens de consumo duráveis (2,5%) e bens intermediários (1,5%), enquanto bens de consumo semi e não duráveis (-1,7%) e bens de capital (-1,5%) recuaram. Das 25 atividades pesquisadas, 15 avançaram, com destaque para indústrias extrativas (4,9%) e produtos alimentícios (1,5%).

Segundo o IBGE, o principal fator para a perda de fôlego foi o nível elevado da taxa básica de juros. A Selic subiu de 10,5% ao ano, em setembro de 2024, para 15% em junho de 2025, em resposta à pressão inflacionária. O encarecimento do crédito adiou investimentos, reduziu o consumo das famílias — especialmente de bens duráveis — e elevou a inadimplência.

Apesar do ambiente restritivo, o mercado de trabalho seguiu resiliente, e 2025 terminou com a menor taxa de desemprego já registrada, conforme dados recentes do IBGE.

03 de fevereiro de 2026, 13:30

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