sábado, 25 de abril de 2026

Israel desiste de indicar novo embaixador ao Brasil em meio à crise diplomática

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Da Redação

O governo de Israel anunciou nesta segunda-feira (25) que desistiu de indicar um novo embaixador para o Brasil, após o Itamaraty não aprovar o nome do diplomata Gali Dagan para assumir o posto em Brasília. Segundo o jornal Times of Israel, a chancelaria israelense declarou que as relações diplomáticas entre os dois países passam a ser conduzidas em um “nível mais baixo”.

A medida é o capítulo mais recente da crise diplomática iniciada após críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à guerra de Israel contra o grupo Hamas, na Faixa de Gaza. Desde 2023, Lula acusa Israel de cometer genocídio contra civis palestinos. Ao comparar as mortes no conflito com o Holocausto, o presidente foi declarado persona non grata pelo governo israelense, que considerou a analogia ofensiva.

O episódio provocou forte reação. O embaixador brasileiro em Israel, Frederico Meyer, foi publicamente repreendido em uma cerimônia no Museu do Holocausto, em Jerusalém. Em resposta, o Itamaraty classificou o ato como hostil e chamou Meyer de volta a Brasília, sem indicar substituto.

Na nota divulgada nesta segunda, o Ministério das Relações Exteriores de Israel afirmou que, após o Brasil “se abster de responder ao pedido de agrément do Embaixador Dagan, Israel retirou a solicitação, e as relações entre os países agora são conduzidas em um nível diplomático inferior”.

De acordo com a publicação, a chancelaria israelense destacou ainda que a “linha crítica e hostil que o Brasil tem demonstrado em relação a Israel” desde os ataques do Hamas em 7 de outubro de 2023 “foi intensificada” pelas declarações de Lula no ano passado.

Posição do governo brasileiro

À TV Globo, o assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim, afirmou que a decisão de não aprovar o nome do embaixador israelense foi consequência direta da crise gerada com a retirada do embaixador brasileiro de Tel Aviv.

“Não houve veto. Pediram um agrément e não demos. Não respondemos. Eles entenderam e desistiram. Eles humilharam nosso embaixador lá, uma humilhação pública. Depois daquilo, o que eles queriam?”, declarou Amorim.

26 de agosto de 2025, 10:30

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