Ivan Ribeiro e sua paixão pelos novos terroirs do Brasil – por José Falcón Lopes
Durante a feira de vinhos Grand Tasting Salvador, realizada no último sábado (18), pude degustar um grande número de espumantes e vinhos na companhia do advogado, escritor, sommelier e empresário de vinhos Ivan Ribeiro. Natural de Itapetinga, na região Sudoeste da Bahia, Ivan é considerado um dos maiores especialistas em novos terroirs do Brasil, título chancelado pela própria organizadora do Grand Tasting Salvador, a sommelière Karina Noçais.
Tive a honra de entrevistar Ivan pela primeira vez em novembro do ano passado – Exclusivo: “Transformaremos a região de Vitória da Conquista num polo do vinho brasileiro”, diz Ivan Ribeiro, idealizador da Vino Bahia Expo. Mas naquela ocasião, como próprio título da entrevista sugere, a intenção era divulgar a Vino Bahia Expo, principal feira de vinhos organizada por ele nas cidades de Vitória da Conquista e Itapetinga.
Desta vez, no estande da DuVale Wine Tasting, que contou com o apoio da querida amiga e competente sommelière Silvana Alves, realizamos um belíssimo “flight” com espumantes e vinhos nacionais produzidos por vinícolas de Goiás, de São Paulo e do Rio Grande do Sul.
Começamos com os três rótulos produzidos com a casta Syrah pela Vinícola Lattarini de Santo Antônio dos Jardins (SP): primeiro o vinho de entrada Artemísia (com teor alcoólico de 12,8% e preço de R$ 90), seguido pelo Syrah Jovem Lattarini (com 14,5% de teor alcoólico e preço de R$ 140) e finalizando com o excelente Lattarini Reserva (também 14,5% de teor alcoólico, maturado por 12 meses em barrica de carvalho francês e com preço de R$ 200).
Em seguida, degustamos o premiado espumante Buffon Nature Rosé (teor alcoólico 11,2% e preço de R$ 140), um blend refrescante e muito macio das uvas Pinot Noir e Riesling, produzido pelo método tradicional no distrito Faria Lemos, em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha.
Ivan fez questão de pontuar a necessidade do consumidor interpretar as castas europeias a partir do terroir brasileiro. “A Pinot Noir tem origem na região da Borgonha, na França, mas existem mais de 600 clones dela espalhados pelo mundo. O enófilo preciso ser generoso e checar o trabalho que se está fazendo em cada país”, defende.
Ivan destacou ainda os rótulos da linha Mérica também produzidos pela Vinícola Buffon – o Rebo, o Barbera, o Teroldego e o Glera (com preços entre R$ 160 e R$ 180) -, que contam a história da imigração italiana para o Brasil; o excelente Buffon Giacomo Tannat criado em homenagem ao seu fundador e considerado o melhor vinho brasileiro de casta Tannat (14,5% de graduação alcoólica e preço R$ 390); e o seleto rótulo Buffon Enterrado Marselan (teor alcoólico 12,5% e preço de R$ 390), que passa seis meses em tanque e 18 meses realmente enterrado numa profundidade de 2 metros, conforme a tradição artesanal italiana, maturando praticamente dentro da garrafa sem a interferência do sol e sem variações de temperatura.
“São produzidas quantidades muito exclusivas do Buffon Enterrado Marselan. Ele é vendido dentro de uma caixa com resto de terra”, brincou Ivan.
Goiás
Antes de iniciarmos a degustação dos vinhos de Goiás, Ivan explicou que este estado da região Centro-Oeste foi pioneiro no Brasil, na década de 1970, na produção de uvas viníferas, mas não ficou famoso porque essa agroindústria não se desenvolveu. Ivan trata deste assunto com bastante detalhes no artigo “A força dos vinhos do Centro-Oeste Brasileiro Parte 1: Goiás”.
Ele contou que já visitou três vinícolas-boutiques com o terroir do cerrado goiano: o Vinhedo Girassol (com 3 hectares plantados, localizada em Cocalzinho de Goiás), a Vinícola São Patrício (com 6,5 hectares, localizada em Rianópolis) e a Vinícola Monte Castelo (também com 6,5 hectares, localizada em Jaraguá), sendo as duas últimas vinícolas co-irmãs representadas por Ivan na Bahia.
Degustamos os três rótulos da São Patrício com nomes de pássaros brasileiros: o Cauré Syrah (teor alcoólico de 14,5% e preço R$ 100), o Talha-Mar (blend das uvas Cabernet Sauvignon e Shiraz, teor alcoólico de 14,3% e preço R$ 180) e o elegante Udu de Coroa Azul (blend das uvas Cabernet Sauvignon e Syrah, teor alcoólico de 14,3% e preço R$ 280).
Depois degustamos outros quatro rótulos da Vinícola Monte Castelo: o delicioso Sessilia Rosé (blend das uvas Syrah e Tempranillo, com 13,2% de teor alcoólico e preço de R$ 120), o Albhus Gran Reserva Syrah (12 meses em barrica de carvalho francês e 15 meses em garrafa, 13,7% de teor alcoólico e preço de R$ 250), o Albhus Gran Reserva Cabernet Sauvignon (12 meses em barrica de carvalho francês e 15 meses em garrafa, 14,6% de teor alcoólico e preço de R$ 250) e o Monte Castelo Syrah Reserva (12 meses em barrica de carvalho francês e seis meses na garrafa, 14,5% de teor alcoólico e preço de R$ 160).
Além destas quatro vinícolas apresentadas por Ivan no Grand Tasting Salvador, ele representa os produtores Dom Aldino e Máscara de Ferro, ambos localizados em Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha. Todos estes produtores e muitos mais estarão presentes na próxima edição da Vino Bahia Expo, marcada para os dias 17 e 18/05 em Vitória da Conquista e de 20 a 25/05 em Itapetinga. Mais informações no perfil do Instagram Vino Bahia Expo.
José Falcón Lopes é hispano-brasileiro e jornalista.
E-mail: colunavinhosbahia@gmail.com
Instagram: @VinhosBahia










