quarta-feira, 13 de maio de 2026

Leo Prates critica atraso nas emendas e relaciona votação da dosimetria a “esculhambação” do Planalto

Foto: Divulgação

Da Redação

O deputado Leo Prates (PDT) criticou a articulação política do governo Lula e atribuiu à insatisfação com o atraso no pagamento de emendas a decisão do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), de pautar o projeto que reduz penas de condenados por atos golpista. A proposta pode beneficiar o ex-presidente Jair Bolsonaro. A conversa foi captada pela reportagem do jornal O Globo.

A conversa captada no plenário da Câmara revelou que deputados da base governista associam diretamente a decisão de Hugo Motta (Republicanos-PB) de colocar em votação o projeto da dosimetria, que flexibiliza punições para condenados por atos golpista, à insatisfação de parlamentares com o atraso na liberação de emendas. O texto foi aprovado na madrugada de quarta-feira e seguirá para análise do Senado.

O diálogo ocorreu após a reunião de líderes em que Motta anunciou a inclusão da proposta na pauta. Segundo a reportagem, o mais exaltado era o baiano Leo Prates, que relatou aos colegas que o clima de irritação se intensificou quando o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), cobrou o Planalto por ter pago apenas 58% das emendas impositivas até agora. Estavam no grupo os pedetistas Mauro Benevides (CE), Leônidas Cristino (CE) e outros dois deputados.

“Você não viu a narrativa quando veio a pauta? O Sóstenes disse que pagou 58% das emendas. O Hugo Motta veio e disse: ‘Eu preciso da ajuda para pagar’. Aí o Lindbergh e o Guimarães disseram: ‘Até 30 de dezembro paga’. Aí veio essa pauta”, reclamou Prates. “Eu sabia que vinha esculhambação”, acrescentou.

O presidente da Câmara não se manifestou sobre o episódio, e os parlamentares do PDT optaram por não comentar a conversa registrada.

Segundo Prates, a insistência da oposição pela liberação das emendas obrigatórias ocorre às vésperas do fim do ano e pode afetar a votação do Orçamento de 2026. Um deputado presente ao diálogo relatou que Motta teria sido direto: “Ou destrava, ou a Casa não anda”.

O descontentamento era tão evidente que alguns pedetistas afirmaram que poderiam até votar a favor do projeto de dosimetria — que reduz penas, impede o acúmulo de delitos previstos no capítulo do Estado Democrático de Direito e cria redutores para réus sem liderança ou financiamento — como forma de pressionar o governo. O texto, relatado por Paulinho da Força (Solidariedade-SP), não inclui anistia, bandeira do PL.

10 de dezembro de 2025, 12:54

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