quinta-feira, 7 de maio de 2026

Mais atual do que nunca, “Tenda dos Milagres” é uma ode à Bahia e sua gente

Foto: Reprodução

Publicado em 1969, “Tenda dos Milagres”, de Jorge Amado, nos leva para o coração do Pelourinho, em Salvador, e apresenta a figura inesquecível de Pedro Archanjo, bedel da Faculdade de Medicina, autodidata, pesquisador da cultura afro-brasileira e, acima de tudo, um defensor intransigente da mestiçagem e do povo negro da Bahia.

Pedro Archanjo as teorias racistas que dominavam parte do pensamento científico no início do século XX. Enquanto acadêmicos defendiam ideias eugenistas e tentavam “embranquecer” o Brasil, Pedro celebrava aquilo que o país tem de mais forte: a mistura, o sincretismo, a herança africana pulsando na música, na religião, na culinária, na língua e na alma do povo.

A “tenda dos milagres” é o espaço simbólico onde saber popular e resistência cultural se encontram. É ali que Jorge Amado constrói uma narrativa atravessada por humor, sensualidade e crítica social, além da ironia: Pedro Archanjo, ignorado e ridicularizado em vida, só é valorizado depois de morto, quando um pesquisador estrangeiro descobre sua obra e a legitima.

Tenda dos Milagres é, portanto, um romance político, cultural e profundamente humano. Ele exalta o candomblé, os terreiros, os mestres populares, as mulheres fortes, a rua como espaço de conhecimento. É uma ode à Bahia e ao Brasil mestiço.

Ao ler — ou reler — essa obra, percebemos que ela continua atual. O debate sobre racismo estrutural, valorização da cultura negra e reconhecimento dos saberes populares ainda está em pauta. Jorge Amado nos lembra que identidade não é vergonha: é potência.

08 de março de 2026, 12:00

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