sábado, 9 de maio de 2026

Motoboy confirma à CPI que frequentava Ministério da Saúde, mas nega relação com ex-diretor

Foto: Roque de Sá/Agência Senado

Da Redação

O motoboy da VTCLog e da Voetur Ivanildo Gonçalves da Silva confirmou, em depoimento à CPI da Covid no Senado nesta quarta-feira (1º), que esteve nas dependências do Ministério da Saúde, mas afirmou que se tratava da sua atividade de entregar boletos de pagamentos.

Disse também não conhecer ninguém no ministério, mas que determinada vez precisou entregar um pen-drive no andar em que atuava o ex-diretor de logística Roberto Ferreira Dias.

De acordo com a Folha de S.P, o motoboy também confirmou que realizava saques milionários para a empresa, de até R$ 430 mil, mas disse não se lembrar de quem eram os beneficiários dos boletos que precisava pagar nas agências bancárias ou das pessoas ou empresas para quem realizava depósitos. Também negou que tenha entregado “em mãos” recursos da empresa para outras pessoas.

Ivanildo foi incluído de última hora na pauta da CPI, um dia após não ter comparecido por estar amparado por um habeas corpus que lhe dá o direito de permanecer calado ou mesmo de não prestar depoimento. Ele entrou no radar da CPI após relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) enviado à comissão mostrar que ele realizou diversos saques para a VTCLog, em um total de R$ 4,7 milhões.

A CPI suspeita que os recursos seriam usados para pagar propina para agentes públicos.

Ainda segundo a Folha, Ivanildo disse que costumava frequentar o prédio do Ministério da Saúde, quando tinha a função de entregar boletos. Afirmou não conhecer ninguém no ministério, mas se recordou de determinava ocasião em que entregou um “pen-drive no quarto andar”.

O vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), apontou então que no quarto andar funciona o Departamento de Logística, comandado à época por Roberto Dias.

“Quando eu realizava o serviço de entregar faturas, eu andava constantemente no Ministério da Saúde. Eu não conhecia ninguém. Eu ia em salas entregar faturas, de setores em setores”, afirmou Ivanildo.

Questionado sobre Dias, o motoboy respondeu que não o conhecia e que não lembrava de ter pagado boletos em seu nome.

Ele afirmou que chegou a sacar R$ 430 mil para a VTCLog na boca do caixa, de uma única vez.

“Olha, no início, uma vez eu saquei um valor de R$ 400 e poucos mil”, disse, para em seguida precisar o valor. Mesmo em se tratando de altas quantias, disse que não havia uma preocupação especial com a segurança. Também disse não ter enfrentado nenhuma dificuldade nos bancos para sacar os valores mais altos.

A operações, acrescenta, aconteciam principalmente em uma agência da Caixa Econômica no aeroporto de Brasília, distante da empresa.

Ivanildo foi questionado se pagava fornecedores ou entregava recursos para alguém, mas negou que fosse sua atribuição.

“Assim, eu não cheguei a entregar dinheiro para ninguém. A única coisa que eu executava, o meu papel era de pagar boletos. Às vezes depositava, quando me pediam: ‘Olha, deposita esse dinheiro’. Mas eu não cheguei ainda, assim, a entregar dinheiro para ninguém”, afirmou. Ele citou como exemplo “boleto de combustível” e faturas de cartões de sócios da empresa.

Ivanildo também disse que não se lembrava de quem eram os boletos pagos ou os nomes para quem fazia depósitos.

O motoboy afirmou que o procedimento padrão era receber as tarefas da funcionária do financeiro da empresa, chamada Zenaide. Todas as instruções se davam pessoalmente. Ao retornar da agência, com sobras de dinheiro, entregava tudo para a mesma pessoa.

“Olha, o que eu pagava, eles [funcionários da empresa] me davam em mãos: eram boletos, era uma lista, vamos supor, para fazer depósito. Então, eu não tinha conhecimento de mais nada, a não ser isso aí”, afirmou.

Ivanildo também afirmou aos senadores que atua para a VTCLog desde 2009 e que atualmente recebe um salário de R$ 1.700.

01 de setembro de 2021, 17:11

Compartilhe: