sexta-feira, 22 de maio de 2026

Movimento no WhatsApp pede museu no Centro de Convenções

A campanha contra a demolição do Centro de Convenções e pela transformação do lugar em um museu, aberto à arte da Bahia e do mundo, invadiu as redes sociais, no fim de semana, e vem ganhando cada vez mais a simpatia do público, principalmente de arquitetos e artistas de Salvador. A proposta é criar o Museu de Arte Contemporânea Frans Krajcberg, homenageando o escultor, gravador e fotógrafo, polonês de origem, naturalizado brasileiro e baiano, que aos 96 anos mora em Nova Viçosa, município no sul do estado.

A ideia vai além do conceito de museu, propondo um espaço amplo e múltiplo, abrigando acervos permanentes de artistas contemporâneos consagrados, locais, nacionais e internacionais, além de áreas para exposições, teatro, cinema, biblioteca, salas de oficinas de artes, cursos e de música, incluindo a sede das orquestras Sinfônica da Bahia (Osba) e a Neojibá.

O modelo é semelhante ao Centro Nacional de Arte e Cultura Georges-Pompidou, inaugurado em 1977, em Paris, um dos equipamentos culturais mais visitados da capital francesa e por consequência do mundo, que se destaca não só pela finalidade, como pela sua arquitetura. Semelhante ao “bôbuur”- como o Pompidou foi carinhosamente apelidado pelos parisienses -, o Centro de Convenções da Bahia pertence ao seleto grupo de exemplos da arquitetura high tech, nascida nos anos 70, utilizando elementos tecnológicos como objetos estéticos. Foi erguido apenas dois anos depois do edifício francês.

Investir para preservar

A polêmica em torno do futuro do Centro de Convenções saiu da esfera política e ganhou os corredores da Escola de Arquitetura da UFBa. Acadêmicos e profissionais da área veem como absurda a demolição do prédio, uma vez que pela lógica não deveria haver reforma de obras do patrimônio artístico-cultural, a exemplo das construções do Pelourinho, ou as igrejas seculares.

Salvador possui apenas duas obras modernistas, erguidas com estruturas metálicas, que são o próprio centro e a Casa do Comércio, na Avenida Tancredo Neves. São prédios históricos, que registram uma fase da arquitetura moderna brasileira, criados pelo MM Roberto, escritório consagrado de arquitetura do Rio de Janeiro que, entre outros projetos, assina o do Aeroporto Santos Dumont.

Dar ao Centro de Convenções o mesmo tratamento dispensado ao Pelourinho e às igrejas de Salvador é aplicar o conceito de investir para preservar, revertendo em desenvolvimento da economia, com incremento do turismo, geração de renda, de emprego.

“A história dá dinheiro”

É o que afirma a jornalista Ilma Pessoa, uma das idealizadoras da campanha. Segundo ela, os europeus aprenderam bem cedo essa máxima, ao ponto de transformar seus bens culturais, incluído o patrimônio arquitetônicos das suas cidades, em um dos seus principais ativos econômicos. “Ao contrário do primeiro mundo, aqui deixou-se ao abandono uma relíquia da arquitetura pós-moderna. Os especialistas avaliam que vai custar caro recuperar a estrutura do centro, porém maior é o valor artístico que está se perdendo ao não dar manutenção à obra”, defende.

17 de setembro de 2017, 22:31

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