quarta-feira, 13 de maio de 2026

Movimento reforça defesa por visibilidade de mães lactantes

Foto: Reprodução

Da Redação

Um movimento que teve início na Bahia e se espalhou por outros estados vem lutando pela inclusão de mães lactantes nos grupos prioritários de vacinação contra a Covid-19. Hoje, cerca de 10 estados já estão vacinando lactantes. A Bahia chegou vacinar esse público, mas, após decisão da CIB em 17 de junho, os grupos prioritários foram excluídos da estratégia de imunização, mantendo apenas o critério de faixa etária.

Durante audiência pública na Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados, realizada na segunda-feira (28), Charlene Borges, liderança nacional do Movimento Lactantes pela Vacina, reforçou a defesa pela visibilidade das mães lactantes. A audiência, proposta pela deputada federal Erika Kokay (PT-DF), debateu a inclusão das mães em período de aleitamento materno como grupo prioritário no Plano Nacional de Imunização.

Charlene destacou que o pleito do movimento não tem relação com maiores riscos à saúde, que tem sido o argumento utilizado par anão incluir esse público enquanto prioridade. “Não estamos dizendo que as lactantes morrem mais ou tenham maior riscos à saúde. Não temos subsídios científicos para isso. Mas estamos pleiteando visibilidade, nós estamos pedindo que as mães também tenham prioridade. Porque nós temos diversas categorias que são priorizadas sem terem riscos maiores de saúde”, disse Charlene.

Ela reiterou a necessidade de proteção integral por parte do estado à maternidade. “Precisamos proteger a maternidade de maneira integral: gestantes puérperas e lactantes. Protegendo a maternidade, estamos também protegendo as crianças. Estamos no país dos órfãos da pandemia”, apontou Charlene.

Mobilização

O Movimento Lactantes pela Vacina começou a se organizar em maio e pressionou o poder público para que todas as mães em período de amamentação pudessem ser contempladas na estratégia de imunização. Hoje, o grupo tem mais de 42 mil seguidores no Instagram, obteve muitas conquistas ao longo de um mês, com a expansão do grupo e com diversos estados incluindo o público de lactantes em suas estratégias. Conforme pontuou Júlia Maia, um movimento 100% orgânico.

A audiência pública desta segunda teve como objetivo debater o tema que gira em torno do Projeto de Lei 2.112/2021, que determina a inclusão de lactantes no quadro de grupos prioritários dentro da campanha de vacinação contra a Covid-19. O texto foi aprovado por unanimidade no Senado em 15 de junho e aguarda parecer da Câmara.

Imunização

O especialista em aleitamento materno, Marcus de Carvalho, salientou que o Brasil é o segundo país com mais mortes de crianças por Covid, conforme levantamento feito do Estadão. A pesquisa aponta que bebês de até dois anos correspondem a 32,7% dessas mortes. Essas crianças, disse o especialista, não podem usar máscaras e ficar em distanciamento social, além de não tomarem vacinas contra a Covid-19.

Marcus Carvalho falou ainda sobre o poder imunológico do leite materno, que tem agentes e funções antimicrobianas, e citou estudos recentes comprovando que a transferência imunológica se dá da mãe para o filho no caso da Covid-19. Um deles, da Universidade de São Paulo, apontou resultado positivo com o uso da CoronaVac em mães lactantes

A deputada Erika Kokay afirmou que o debate deve continuar. “Essa discussão não se encerra aqui. Nós vamos fazer, em nome da comissão, uma solicitação para esta reunião, para esta escuta do Movimento Lactantes pela Vacina. Nós vamos formalizar, para romper essa invisibilização e colocar os argumentos que foram pontuados nesta audiência”, adiantou

29 de junho de 2021, 12:12

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